
As buscas por “justa causa” nunca estiveram tão em alta na internet. Dados da Sala Digital mostram que o interesse pelo termo atingiu o maior nível da série histórica no ano passado e segue no mesmo patamar nos primeiros meses deste ano.
E não é por acaso. A curiosidade nas buscas acompanha o que acontece no mercado de trabalho. Esse tipo de demissão bateu recorde em 2025, com crescimento de quase 200% na comparação com o período pré-pandemia, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence.
Foram cerca de 638 mil desligamentos nessa modalidade no ano passado — o maior número desde 2004, início da série histórica —, indicando uma mudança na dinâmica entre empresas e trabalhadores.
O que está por trás do cenário de demissão?
Especialistas apontam uma combinação de fatores. O retorno ao trabalho presencial reacendeu regras mais rígidas de jornada e comportamento. Ao mesmo tempo, empresas passaram a usar ferramentas de monitoramento digital mais sofisticadas, capazes de acompanhar a produtividade e a rotina dos funcionários com mais precisão.
Do outro lado, trabalhadores — especialmente os mais jovens, da geração Z — têm demonstrado menor tolerância a ambientes rígidos e maior disposição para questionar regras. Esse choque ajuda a explicar o aumento de conflitos que, em alguns casos, terminam na punição mais severa prevista na CLT.
Os dados do Caged também apontam que a maior incidência desse tipo de demissão está entre trabalhadores de 18 a 24 anos e de 25 a 29 anos, que representaram, respectivamente, 2,8% e 3% dos desligamentos totais em 2025.
Mas, afinal, o que realmente pode levar à justa causa?
A lei prevê situações específicas, como faltas graves por desonestidade, agressão ou assédio; abandono de emprego, geralmente caracterizado por cerca de 30 dias de ausência; e comportamentos recorrentes, como faltas injustificadas ou atrasos frequentes.
Não existe um número exato de advertências ou faltas. O que conta é a repetição da conduta ou a gravidade do ato.
Isso ajuda a responder dúvidas comuns que aparecem nas buscas no Google, como “quantas faltas dão justa causa?”, “quantas advertências dão justa causa?” e “falta sem justificativa dá justa causa?”. Também são frequentes perguntas como “justa causa tem direito a quê?” e “justa causa tem aviso prévio?”.
Uma falta isolada dificilmente leva à demissão por justa causa, mas a repetição pode caracterizar negligência. Atrasos só se tornam um problema quando são constantes. Até mesmo uma gestante pode ser demitida nesse modelo, caso cometa falta grave. Já a recusa em fazer hora extra, em regra, não configura justa causa — salvo em situações específicas previstas em lei.
O impacto, porém, é significativo. Quem é demitido por justa causa perde direitos importantes, como seguro-desemprego, saque do FGTS, multa de 40% e aviso prévio, recebendo apenas o saldo de salário e as férias vencidas, se houver.
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