Jornalismo

Jovens lideram uso de inteligência artificial, mas manifestam desconfiança

Dados do Monitor de Inteligência Artificial da Ipsos revelam que a faixa etária abaixo de 35 anos se divide entre o otimismo prático e o receio com o futuro

Da redação

DA REDAÇÃO

10/06/2026 • 14:41 • Atualizado em 10/06/2026 • 14:41

Inteligência artificial preocupa jovens
Inteligência artificial preocupa jovens - Foto: Divulgação/Freepik

O público com menos de 35 anos desponta como o segmento populacional que apresenta as maiores probabilidades de experimentar sentimentos dúbios em relação à inteligência artificial (IA) . Conforme os dados apontados pelo Monitor de Inteligência Artificial da Ipsos 2026 , essa parcela da população se divide entre o nervosismo, registrado por uma média de 52% em 32 países, e o entusiasmo com o potencial da tecnologia, que atinge 56% dos entrevistados nessa mesma faixa etária. No cenário nacional, 44% dos brasileiros com menos de 35 anos admitem que os produtos e serviços baseados em IA geram sensação de nervosismo.

A pesquisa indica que a percepção sobre o impacto da tecnologia a médio prazo é expressiva entre as gerações mais novas.

No Brasil, 60% dos cidadãos situados nessa faixa de idade manifestam a crença de que, em um horizonte de três a cinco anos, as ferramentas tecnológicas vão modificar profundamente a rotina diária.

Essa taxa se mostra ligeiramente inferior à média global apurada pelo levantamento internacional, que alcança o patamar de 69% entre as nações participantes da amostragem.

Desconfiança digital e o mercado de trabalho

Em termos globais, constata-se um comportamento paradoxal no que tange à utilização e à segurança dos sistemas automatizados. Um percentual de 66% dos indivíduos com idade inferior a 35 anos — patamar que configura a maior média verificada entre todas as faixas geracionais submetidas à análise — declara que não deposita confiança integral nas ferramentas de inteligência artificial, embora realize o uso rotineiro dos mecanismos.

Em solo brasileiro , a concordância com essa conduta atinge 39% dos entrevistados do mesmo grupo de idade.

O levantamento estatístico evidencia, adicionalmente, que os participantes brasileiros situados na faixa etária abaixo de 35 anos registram os menores índices de confiabilidade quanto à privacidade de suas informações. Metade da amostra nacional dessa faixa (50%) confia que as corporações operantes com inteligência artificial atuarão de forma a proteger os dados pessoais fornecidos, índice que contrasta com a média global de 42% identificada pela amostragem da Ipsos.

Os temores institucionais e profissionais também se estendem para as projeções relativas ao mercado laboratorial e à integridade da informação disponível no ambiente digital.

Os cidadãos mais jovens revelam uma propensão superior para assinalar a expectativa de que os postos de trabalho atuais sofram processos de substituição por força da automação nos próximos cinco anos.

Simultaneamente, os jovens do Brasil integram o bloco populacional que mais projeta o incremento do volume de desinformação veiculada na internet decorrente do avanço tecnológico, somando 42% de respostas afirmativas, indicador idêntico à média computada globalmente.

Produtividade acelerada e resistência cultural

A despeito dos receios documentados, o segmento juvenil registra proeminência no que concerne à incorporação efetiva das plataformas tecnológicas nas atividades cotidianas, com destaque para a aplicação no ambiente profissional.

Os dados consolidados na média dos 32 países pesquisados apontam que as pessoas com menos de 35 anos declaram ter obtido economia de tempo na execução de tarefas laborais no decorrer do último ano por meio do suporte da IA. Esse índice atinge o patamar de 40%, representando um volume de otimização de tempo três vezes superior ao verificado na faixa geracional compreendida entre 50 e 74 anos, cujo índice de aproveitamento fixou-se em 13%.

Segundo a análise de Luciana Obniski, Líder de Curadoria e Tendências na Ipsos no Brasil, os cruzamentos analíticos entre os relatórios AI Monitor e Ipsos Global Trends explicitam que as camadas demográficas de menor idade evidenciam quadros de maior nervosismo, menor entusiasmo relativo e propensão mais elevada para referendar a tese de que a tecnologia atua no sentido de desestruturar o ordenamento global.

A especialista adverte que, em virtude de os jovens historicamente se posicionarem como os primeiros adotantes e promotores assíduos de inovações tecnológicas, a identificação desse padrão de comportamento pode configurar obstáculos de longo prazo para as corporações que integram o setor de tecnologia.

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