BandNews FM Rio

Faetec suspende formulário para justificativa de faltas criado por escola em área de conflito

Fundação disse que medida foi isolada e não representa política oficial; casos de violência na unidade de Quintino Bocaiúva paralisaram aulas 12 vezes em 2025

JOÃO BOUERI

27/08/2025 • 13:44 • Atualizado em 27/08/2025 • 13:44

Campus de Quintino da Faetec, na Zona Norte
Campus de Quintino da Faetec, na Zona Norte - Foto: Divulgação/Faetec

A Faetec vai investigar a utilização de um formulário on-line para alunos justificarem faltas por motivo de violência. A medida foi implementada pela unidade de ensino fundamental em Quintino Bocaiúva, na Zona Norte do Rio.

A escola fica na Rua Clarimundo de Melo, que é praticamente cercada por três comunidades que registraram confrontos nas últimas semanas. Entre elas, além do Saçu e Caixa D'Água, o Morro do Fubá que convive há meses com a disputa entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro.

Apesar de não confirmar aumento de ocorrências envolvendo a comunidade escolar da rede, de janeiro até maio de 2025, as aulas nas unidades da Faetec em Quintino foram interrompidas 12 vezes. De 120 unidades da Fundação de Apoio à Escola Técnica, somente as do bairro da Zona Norte paralisaram as atividades por causa da violência.

A estimativa é de que cerca de 3 mil alunos, responsáveis e funcionários frequentam a unidade da escola técnica em Quintino.

Segundo a Faetec, a utilização do formulário se trata de uma medida isolada e que não representa a política oficial da instituição. A direção esclareceu que não tomou conhecimento e nem autorizou a publicação do mesmo, que foi suspenso imediatamente.

O pai de um aluno que não quis se identificar disse que não concorda com a decisão de suspender o formulário on-line, já que a única alternativa seria ir à Faetec para justificar.

Um professor da unidade entrou em contato com a reportagem e também pediu para não ser identificado. Ele conta que um aluno precisou recorrer ao Conselho de Classe no ano passado para ser aprovado após faltar durante confrontos entre criminosos e policiais na região.

Em março, uma mulher foi atingida de raspão na orelha, após uma troca de tiros entre policiais e traficantes do Morro do Saçu. Alcione da Silva havia deixado a filha na unidade.

Em nota, a Fundação disse que mantém diálogo permanente com os órgãos de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro e reforça rotineiramente as orientações de prevenção e proteção às unidades, de acordo com os protocolos estabelecidos pela Secretaria de Estado de Educação e demais autoridades competentes.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: