A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos anunciou nesta quarta-feira (16) que identificou dois desaparecidos políticos vítimas da ditadura enterrados na Vala Clandestina de Perus, em São Paulo. Grenaldo de Jesus da Silva e Denis Casemiro foram mortos em 1972 e 1971, respectivamente, pelo regime militar. O colunista e apresentador de 'O É da Coisa', da BandNews FM , Reinaldo Azevedo, analisa o tema nesta quinta-feira (17).
"É trágico e positivo, afinal dá uma resposta para as famílias (…) E isso se dá em um momento em que o país está politicamente mesmerizado pela safadeza, com o perdão da palavra, da chamada anistia para os golpistas. Que anistia não é, é impunidade", disse Reinaldo.
O trabalho de identificação é resultado do trabalho do Grupo de Trabalho Perus (GTP), por meio do Projeto Perus, que confirmou neste ano a identidade dos remanescentes ósseos de Grenaldo de Jesus da Silva e Denis Casemiro.
Para Reinaldo, o encontro desses corpos na Vala de Perus é mais uma lembrança de que "ditaduras matam e as pessoas desaparecem, que inexiste o processo legal, ao qual todos estão submetidos agora". "O que se busca é anistiar os chefes da tentativa golpista, a começar por Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro e sua turma que tentaram instituir uma nova ditadura no país e na esteira disso havia plano para matar presidente, vice e ministro do Supremo", disse.
O Projeto que identificou os corpos é fruto de uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a Prefeitura de São Paulo e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Bolsonaro, quando estava na presidência, em 11 de abril de 2019, decretou o fim das investigações sobre as ossadas de Perus.
"Bolsonaro que, quando deputado, tinha um cartaz, um pôster na porta do seu gabinete sobre os desaparecidos do Araguaia dizendo que 'quem procura osso é cachorro'. Esse é o cara que tentou liderar um golpe no Brasil, golpe que mata e faz com que pessoas desapareçam", disse Reinaldo.
Grenaldo e Denis
Grenaldo nasceu em São Luís (MA) e era militar da Marinha e foi preso em 1964 após reivindicar melhores condições de trabalho. Expulso da corporação, chegou a fugir da prisão e passou a viver na clandestinidade.
Ele foi morto em 30 de maio de 1972, durante uma tentativa de sequestro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Já Denis Casemiro nasceu em Votuporanga (SP). Trabalhou como pedreiro e lavrador antes de integrar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização da luta armada contra a ditadura.
Segundo registro do Memorial da Resistência de São Paulo, foi preso em abril de 1971, torturado e executado por agentes do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), sob o comando do delegado Sérgio Fleury.
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