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Juliana Rosa: Economia, que parecia estagnada no fim do ano, reacelera, mas ritmo deve esfriar

IBGE anunciou crescimento de 1,4% do PIB no primeiro trimestre de 2025, acima do que o mercado esperava; agropecuária subiu 12,2%

Por Redação

REDAÇÃO

30/05/2025 • 17:51 • Atualizado em 30/05/2025 • 17:51

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta sexta-feira (31) que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025 , puxado principalmente pelo desempenho do setor agropecuário, que avançou 12,2% .A colunista de Economia da Rádio BandNews FM , Juliana Rosa, avalia que o número é forte e mostra que a economia, que estava praticamente estagnada no final do ano passado, voltou a acelerar de forma mais ampla no início deste ano, mas que há uma tendência de desaceleração para os próximos meses.

Segundo a colunista, apesar da expectativa de um bom resultado por causa da safra agrícola recorde, o crescimento foi mais distribuído do que se imaginava. “O agro puxou sim, mas o que os números mostram é que foi um crescimento espalhado, com serviços, comércio e transporte também contribuindo”, destacou.O setor de serviços, que teve expansão de 0,3% tem um peso maior na economia e no emprego do que a agropecuária, de acordo com Juliana. O comércio cresceu 2% e o setor de transportes foi impulsionado pela necessidade de escoar a produção agrícola.

A comentarista também aponta o consumo das famílias como outro fator importante para o resultado do trimestre, reforçado por um mercado de trabalho aquecido, com a menor taxa de desemprego da história e aumento nos salários – embora ainda baixos, com uma renda média em torno de R$ 1.800. Para ela, o crescimento do consumo reflete esse cenário, ainda que a percepção de melhora de vida nem sempre seja sentida por toda a população.

Outro destaque do trimestre, segundo a colunista, foi o avanço dos investimentos, que cresceram 3% mesmo com a taxa de juros elevada, próxima de 15%. Na sua visão, o número chama atenção porque, em geral, juros altos desestimulam a expansão de negócios.Apesar do bom momento, Juliana avalia que a economia deve perder fôlego nos próximos meses. “A tendência é de desaceleração, com empresas investindo e contratando menos, e os salários também perdendo força”, afirma a colunista.Ela ressalta, no entanto, que o governo ainda exerce influência positiva no crescimento por meio de medidas como o aumento do salário mínimo, expansão do Minha Casa Minha Vida, liberação de FGTS e estímulos ao crédito, o que mantém a economia aquecida no curto prazo. A expectativa é que o crescimento anual fique em torno de 2,2% a 2,3%, abaixo do registrado em 2024, mas ainda acima do previsto inicialmente.

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