
A temporada de 2026 da Fórmula 1 começou com uma profunda mudança tecnológica nas unidades de potência dos carros. O novo regulamento amplia o peso da eletrificação, triplica a potência elétrica e transforma a categoria em um laboratório para tecnologias que podem chegar aos carros de rua.
A arquitetura básica foi mantida: um motor 1.6 V6 turbo combinado a sistemas híbridos . Mas a distribuição de potência mudou radicalmente. O sistema MGU-H, que recuperava energia térmica dos gases de escape, foi eliminado , reduzindo a potência do motor a combustão para cerca de 550 cv .
Por outro lado, o sistema elétrico MGU-K foi ampliado de cerca de 163 cv para aproximadamente 476 cv . O resultado é um conjunto que pode atingir cerca de 1.000 cv de potência combinada , com participação muito maior da eletricidade no desempenho do carro.
A bateria também ganhou papel central. Os carros passam a usar um conjunto de 5,5 kWh, projetado para recarga e descarga extremamente rápidas , diferente das baterias maiores de veículos elétricos convencionais. Durante a corrida, o sistema opera principalmente com cerca de 1,1 kWh, mantendo o nível de carga entre 40% e 60%.
Essa estratégia busca evitar os extremos de carga, abaixo de 20% ou acima de 80%, que prejudicam a estabilidade térmica das baterias . Operar no centro da capacidade permite suportar ciclos agressivos de recuperação de energia, de até 2,5 kWh por volta , sem exigir sistemas de refrigeração pesados.
Assim como ocorre em carros elétricos e híbridos vendidos hoje, a recuperação de energia acontece principalmente durante as frenagens . Outra técnica usada é o “lift and coast”, quando o piloto tira o pé do acelerador antes da curva para regenerar energia .
A nova geração de motores também trouxe uma estratégia inédita. Equipes passaram a usar o chamado “super clipping”, em que o motor a combustão carrega a bateria nas retas , mesmo com o acelerador totalmente pressionado. A manobra sacrifica momentaneamente a aceleração, mas permite recuperar energia para uso estratégico ao longo da volta.
Outra mudança importante está na aerodinâmica. Os carros de 2026 passam a ter asas dianteira e traseira móveis , que reduzem o arrasto nas retas e diminuem a necessidade de potência elétrica para manter velocidades altas .
O tradicional DRS foi aposentado e substituído pelo “modo ultrapassagem” , que amplia o uso da bateria. O sistema permite liberar até 3,3 kWh de energia e aumenta a velocidade em até 30 km/h em relação ao rival , recurso apelidado por críticos de “Mario Kart” .
Legado para os carros de rua
O regulamento também estabelece mudanças ambientais. Os motores passam a usar combustíveis 100% sintéticos e renováveis , sem ligação com cadeias alimentares.
Mais importante para a indústria automotiva, porém, é o avanço nas baterias. O desenvolvimento de conjuntos menores, mais densos e capazes de carregar e descarregar energia em altíssima velocidade gera dados valiosos para fabricantes de carros elétricos e híbridos.
Tecnologias como gestão térmica de baterias, recuperação agressiva de energia e estratégias como o “super clipping” podem influenciar projetos futuros. O objetivo é extrair o máximo desempenho de células compactas, um desafio central para a próxima geração de veículos eletrificados.
Na prática, os monopostos de cerca de 1.000 cv da Fórmula 1 voltam a cumprir um papel histórico: servir como laboratório extremo para tecnologias que, anos depois, chegam aos carros de produção.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:




