A dentista curitibana Érica Landowski teve a primeira viagem internacional interrompida em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após ataques iranianos na cidade provocarem o fechamento do espaço aéreo e o cancelamento de voos, deixando brasileiros retidos também na Tailândia e em Abu Dhabi nos últimos dias.
Curitibana relata alerta de míssil em passeio no deserto
Érica viajava com o namorado e amigos quando fazia um passeio no deserto, nos arredores de Dubai, no momento em que começaram os ataques. Pouco depois, ela recebeu no celular um aviso de emergência enviado pelas autoridades locais, com orientações para buscar abrigos.
""A gente recebeu um alerta de míssil que vem com um alarme no celular, do próprio governo, para procurar locais seguros e ficar longe de janelas. Muita gente dormiu no banheiro, dormiu no estacionamento", contou a curitibana."
Após o fechamento do espaço aéreo e o cancelamento do voo de retorno, a dentista precisou esperar a remarcação da passagem e desembolsar cerca de R$ 14 mil extras para conseguir voltar ao Brasil. O imprevisto transformou em tensão o que deveria ser uma viagem de lazer.
Brasileiros presos em aeroportos e navios
A assessora de marketing Daniela Ardito , que passava férias na Tailândia, também teve a volta ao país afetada. O voo que a traria de volta faria escala no Catar e foi cancelado. Segundo ela, a empresa aérea orientou os passageiros a aguardar uma nova data ou comprar novas passagens com conexão em outro país.
""A grande maioria das companhias está seguindo a mesma linha, que é fechar os escritórios nos aeroportos ou simplesmente falar para as pessoas esperarem. Se elas puderem, que comprem outra passagem, que está caríssima: para cima de R$ 20 mil, algumas chegam a R$ 39 mil. Mas a gente não tem R$ 39 mil para conseguir sair daqui hoje", relatou."
Daniela afirma que procurou a embaixada brasileira, mas ouviu que o impasse precisa ser resolvido diretamente com a companhia aérea responsável pelo bilhete.
Um grupo de brasileiros que estava retido em um navio de cruzeiro em Dubai conseguiu retornar nesta semana em um voo que saiu dos Emirados Árabes, fez escala na Espanha e pousou em São Paulo. Foram cerca de 30 horas de viagem. Os turistas permaneceram a bordo do transatlântico desde 28 de fevereiro, sem poder desembarcar.
Moradores deixam o Golfo em meio à tensão
Quem vive na região também tenta se afastar do conflito. A diretora de marketing Karla Galvão , que mora há cinco anos em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, embarca amanhã para o Brasil e diz que sente alívio.
""Estou muito feliz de ir agora. Eu já iria, independentemente da situação, mas, com isso acontecendo, estou louca para pôr meu pé aí", afirmou."
'Lição de vida', diz dentista curitibana
De volta ao país, Érica afirma que a experiência mudou sua percepção sobre a guerra e sobre a situação de quem vive em áreas de conflito.
""Vivenciar aquilo e ver que é real, o desespero das pessoas... A gente ainda tinha o Brasil para voltar, mas fico muito triste e empática com quem é realmente vítima dessas guerras. Imagine ser da população de Israel, do Irã, de lugares que podem sofrer ataques muito maiores a qualquer momento. É uma realidade muito distante do Brasil, graças a Deus, mas presenciar tudo aquilo é uma lição de vida", concluiu."
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