A taxação de 50% imposta dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, medida anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump no dia 9 de julho pode provocar uma queda temporária nos preços dos alimentos no Brasil. Isso porque, se a tarifa for aplicada, a partir do dia 1º de agosto, os produtos brasileiros deixarão de ser exportados para os Estados Unidos e todo o volume deverá ser redirecionado ao mercado doméstico, aumentando a oferta. Entres estes produtos estão as carnes - bovina e de aves - ovos, café e suco de laranja, entre outros.
Em recente entrevista à Rádio Bandeirantes , o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, abordou a potencial queda temporária dos preços de carnes no Brasil em virtude das tarifas e destacou a necessidade de "paciência" e uma observação cautelosa dos "efeitos" dessas mudanças no mercado.
Segundo Santin, a indústria de carne bovina pode ser a mais afetada por essas tarifas , uma vez que os Estados Unidos são o segundo maior comprador do produto brasileiro. Ele mencionou que a carne bovina é crucial na produção de um dos pratos mais populares nos EUA, o hambúrguer, o que poderia, por sua vez, elevar os preços nos Estados Unidos.
Em outro segmento da discussão sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o ex-ministro da Fazenda e embaixador em solo americano entre 1991 e 1993, Rubens Ricupero, participou do programa Canal Livre, da Band, onde comparou a política do governo Trump com "diplomacia de mafiosos" . Ricupero expressou que, dada a personalidade de Trump, "o máximo que você pode obter dele não é uma solução do problema, é a extensão dos prazos".
Ricupero ainda ressaltou a importância de explorar "todos os caminhos possíveis e imagináveis diplomáticos, Congresso e, sobretudo, o setor privado americano" dentro de um prazo de 20 dias, destacando que a sensibilidade de Trump está no "bolso", sugerindo que é crucial ganhar o apoio dos homens de negócios americanos.
Além disso, o ex-ministro apontou que o Brasil não é tão dependente do mercado americano, mas criticou a falta de investimentos no país. "Se a nossa política fosse a melhor, nós deveríamos estar nadando de braçada", comentou, lamentando que o Brasil não tenha crescido significativamente desde os anos 80 e atribuindo parte do problema à baixa taxa de investimento de "menos de 17% do PIB".
Ricupero também abordou o cenário global, mencionando a redução do poder dos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o crescimento da influência da China, especialmente em nações em desenvolvimento como o Brasil, através do BRICS. Ele expressou preocupação com a ausência do presidente chinês na recente reunião do bloco no Rio, mas destacou a importância que o governo brasileiro tem dado ao BRICS.
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