Agro

Carne bovina pode ficar mais barata no Brasil por causa do tarifaço de Trump

Produtos que deixarão de ser exportados para os Estados Unidos serão distribuídos no mercado doméstico

Por Redação

REDAÇÃO

14/07/2025 • 15:23 • Atualizado em 14/07/2025 • 15:23

A taxação de 50% imposta dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, medida anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump no dia 9 de julho pode provocar uma queda temporária nos preços dos alimentos no Brasil. Isso porque, se a tarifa for aplicada, a partir do dia 1º de agosto, os produtos brasileiros deixarão de ser exportados para os Estados Unidos e todo o volume deverá ser redirecionado ao mercado doméstico, aumentando a oferta. Entres estes produtos estão as carnes - bovina e de aves - ovos, café e suco de laranja, entre outros.

Em recente entrevista à Rádio Bandeirantes , o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, abordou a potencial queda temporária dos preços de carnes no Brasil em virtude das tarifas e destacou a necessidade de "paciência" e uma observação cautelosa dos "efeitos" dessas mudanças no mercado.

Segundo Santin, a indústria de carne bovina pode ser a mais afetada por essas tarifas , uma vez que os Estados Unidos são o segundo maior comprador do produto brasileiro. Ele mencionou que a carne bovina é crucial na produção de um dos pratos mais populares nos EUA, o hambúrguer, o que poderia, por sua vez, elevar os preços nos Estados Unidos.

Em outro segmento da discussão sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o ex-ministro da Fazenda e embaixador em solo americano entre 1991 e 1993, Rubens Ricupero, participou do programa Canal Livre, da Band, onde comparou a política do governo Trump com "diplomacia de mafiosos" . Ricupero expressou que, dada a personalidade de Trump, "o máximo que você pode obter dele não é uma solução do problema, é a extensão dos prazos".

Ricupero ainda ressaltou a importância de explorar "todos os caminhos possíveis e imagináveis diplomáticos, Congresso e, sobretudo, o setor privado americano" dentro de um prazo de 20 dias, destacando que a sensibilidade de Trump está no "bolso", sugerindo que é crucial ganhar o apoio dos homens de negócios americanos.

Além disso, o ex-ministro apontou que o Brasil não é tão dependente do mercado americano, mas criticou a falta de investimentos no país. "Se a nossa política fosse a melhor, nós deveríamos estar nadando de braçada", comentou, lamentando que o Brasil não tenha crescido significativamente desde os anos 80 e atribuindo parte do problema à baixa taxa de investimento de "menos de 17% do PIB".

Ricupero também abordou o cenário global, mencionando a redução do poder dos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o crescimento da influência da China, especialmente em nações em desenvolvimento como o Brasil, através do BRICS. Ele expressou preocupação com a ausência do presidente chinês na recente reunião do bloco no Rio, mas destacou a importância que o governo brasileiro tem dado ao BRICS.

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