Agro

Preço da soja atinge maior valor no Brasil desde abril de 2023

Compras aceleradas da China e receio sobre impactos climáticos do El Niño na safra futura impulsionam os indicadores de Paranaguá e do interior

Da redação

DA REDAÇÃO

24/08/2026 • 16:04 • Atualizado em 24/08/2026 • 16:04

China mantém ritmo intenso de aquisições de cargas brasileiras para atender ao consumo interno
China mantém ritmo intenso de aquisições de cargas brasileiras para atender ao consumo interno - Foto: Divulgação

As cotações da soja registram forte valorização no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pelo avanço da procura interna e externa e pela menor disposição de venda por parte dos agricultores. O movimento eleva os indicadores diários de preços no Porto de Paranaguá e no Paraná aos maiores níveis nominais registrados desde abril de 2023, de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

O aquecimento dos negócios reflete uma disputa direta pelo grão disponível no País. No cenário internacional, a China mantém ritmo intenso de aquisições de cargas brasileiras para atender ao consumo interno e garantir o abastecimento de suas reservas.

Ao mesmo tempo, as indústrias processadoras instaladas no Brasil aceleram as compras no mercado nacional. O objetivo das esmagadoras é recompor e assegurar estoques estratégicos para a produção de farelo e óleo vegetal nos próximos meses.

Essa pressão compradora simultânea reduz a oferta livre do grão nas principais praças de comercialização do Centro-Sul brasileiro.

Do lado da oferta, os agricultores brasileiros adotam postura de cautela e limitam o fechamento de novos negócios. A retração de vendas diminui o volume disponível para pronta entrega no mercado físico.

Segundo os pesquisadores do Cepea, a hesitação dos produtores está diretamente ligada às incertezas sobre o volume da safra global 2026/27. A principal preocupação do setor agrícola envolve as possíveis variações climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño nas principais regiões produtoras do mundo.

O El Niño altera o padrão regular de chuvas e temperaturas em escala global, o que pode comprometer a produtividade das lavouras em importantes polos agrícolas das Américas. Diante desse risco de quebra produtiva futura, quem tem o grão estocado prefere aguardar novas oscilações para negociar.

A combinação entre procura aquecida e baixa liquidez de venda também impacta a bolsa internacional e sustenta os valores de exportação nos terminais portuários.

Com o cenário externo em alta e a paridade de exportação fortalecida em portos como Paranaguá, os preços pagos ao produtor no interior do Brasil seguem a mesma tendência positiva, consolidando a recuperação das cotações da oleaginosa no País.

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