Agro

Clima: Sul terá chuva forte e país registra calor até 7°C acima da média

Modelos meteorológicos apontam contrastes climáticos pelo território nacional, com impacto direto nas safras de trigo, cana-de-açúcar e soja

Da redação

DA REDAÇÃO

21/08/2026 • 20:17 • Atualizado em 21/08/2026 • 20:17

 El Niño causou prejuízos agronômicos entre setembro e novembro no Sul
El Niño causou prejuízos agronômicos entre setembro e novembro no Sul - Foto: Wenderson Araujo/Trilux

O padrão do clima no Brasil nos próximos dias apresenta forte contraste regional e sinais consistentes de atuação do fenômeno El Niño , segundo dados de satélite da EarthDaily. Enquanto a Região Sul concentra volumes expressivos de precipitação, a maior parte do território nacional enfrenta tempo seco e temperaturas entre 3°C e 7°C acima da média histórica. As projeções dos modelos meteorológicos ECMWF (europeu) e GFS (norte-americano) indicam atenção redobrada para o calendário e o manejo das principais lavouras.

As lavouras de trigo no Sul encontram boa disponibilidade de água no solo devido aos acumulados de chuva registrados na primeira quinzena de agosto . No entanto, o excesso de umidade acende o alerta para o avanço de doenças fúngicas e foliares nas áreas em fases reprodutivas e de enchimento de grãos. No Rio Grande do Sul, a persistência de tempo encoberto reduz a radiação solar e pode limitar o potencial produtivo da cultura.

O analista de culturas da EarthDaily, Felippe Reis, recorda que em 2023 o excesso hídrico sob vigência do El Niño causou prejuízos agronômicos entre setembro e novembro no Sul. O especialista ressalta que a manutenção de dias chuvosos tende a comprometer o rendimento e a qualidade final dos grãos colhidos.

Tempo seco favorece cana e exige cautela no Centro-Oeste

No Centro-Sul, o cenário para o setor canavieiro prevê dias ensolarados, tempo seco e precipitações inferiores a 1 milímetro diário . Essa condição acelera a concentração de sacarose na planta e dá agilidade às operações de corte e transporte da cana-de-açúcar.

Por outro lado, o calor intenso com marcas próximas a 40°C nas projeções do GFS eleva o risco de estresse hídrico. A perda rápida de água no solo pode prejudicar o desenvolvimento das soqueiras — os brotos que surgem da raiz após a colheita para o ciclo seguinte.

Já no Centro-Oeste, áreas produtoras de Mato Grosso, de Goiás e de Mato Grosso do Sul registram queda nos níveis de umidade do solo. Embora a condição seja comum para o período, os produtores precisam monitorar a regularização das chuvas na virada de agosto para setembro a fim de iniciar a semeadura da safra de soja 2026/27 no prazo ideal.

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