Agro

Preço da mandioca atinge maior nível do ano após 6ª alta consecutiva

Oferta de raízes abaixo da procura industrial e foco no novo plantio reduzem estoques de fécula e farinha, aponta Cepea

Da redação

DA REDAÇÃO

17/08/2026 • 13:55 • Atualizado em 17/08/2026 • 13:55

Mandioca alcança a maior alta de preços do ano
Mandioca alcança a maior alta de preços do ano - Foto: Divulgação/GTFoods/Lorenz

O preço médio da mandioca subiu pela sexta semana seguida no mercado brasileiro e atingiu o patamar nominal mais elevado de 2026. A baixa disponibilidade da raiz no campo, somada à intensa procura das indústrias de transformação, sustenta a valorização da matéria-prima, segundo levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com os pesquisadores da instituição, o volume ofertado pelos agricultores permanece insuficiente para suprir a necessidade das fábricas . O descompasso entre oferta e procura intensifica a disputa entre empresas de diferentes regiões, que ampliam os valores pagos na tentativa de atrair cargas e manter suas plantas em operação.

A diminuição na entrada de matéria-prima decorre principalmente da mudança no foco dos produtores rurais. No momento, o setor agrícola prioriza o preparo do solo e a instalação da nova safra, desacelerando o ritmo da colheita nas propriedades.

Além disso, os mandiocultores demonstram menor interesse na venda dos lotes disponíveis, com destaque para a mandioca de primeiro ciclo. Esse termo técnico designa a raiz retirada entre 10 e 14 meses após o cultivo, ainda jovem. Diante do quadro atual, muitos agricultores preferem mantê-la na terra para obter maior ganho de peso e teor de amido nos próximos meses.

O aperto no fornecimento de matéria-prima atinge diretamente a capacidade de processamento dos derivados. Com menos cargas descarregadas nos pátios, a moagem nas indústrias opera abaixo do potencial em importantes polos produtores do país.

A retração produtiva compromete os estoques de fécula de mandioca, o amido refinado amplamente utilizado nos setores de panificação, embutidos, papel e celulose. A baixa oferta do produto final dá suporte a novos reajustes nas negociações entre as indústrias fecularias e as distribuidoras .

O mesmo cenário atinge a produção de farinha de mandioca, item essencial na mesa dos brasileiros. Com custos de matéria-prima em patamares elevados, as farinheiras ajustam os preços de venda para repassar parte da pressão das cotações aos canais do comércio atacadista e varejista.

A escassez generalizada de raízes estimula movimentações entre diferentes praças agrícolas. Processadoras de regiões onde a oferta está mais curta buscam matéria-prima em municípios vizinhos e até em outros estados, absorvendo despesas maiores com transporte rodoviário para evitar a paralisação das linhas fabris.

Especialistas do setor destacam que a tendência das cotações no curto prazo depende da evolução do clima e do calendário das lavouras. Enquanto o trabalho de plantio exigir a mão de obra no campo e a oferta permanecer restrita, a pressão compradora das indústrias deve manter os preços firmes ao longo de toda a cadeia produtiva.

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