O preço da cebola quase dobrou nos últimos 20 dias na Bahia, impulsionando um aumento de mais de 20% nas importações brasileiras do vegetal em março de 2026.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o país elevou a dependência de compras externas, especialmente da Argentina, para suprir a baixa oferta nacional decorrente das fortes chuvas no início do ano.
Chuvas afetam produção e elevam preços ao consumidor
A instabilidade climática nas principais regiões produtoras do Brasil comprometeu a colheita e a qualidade dos bulbos. Na região de Irecê, na Bahia, um dos principais polos produtores do país, a escassez do produto fez as cotações dispararem em menos de três semanas.
O cenário de desabastecimento interno forçou o mercado a buscar alternativas no Mercosul. A Argentina aparece como o principal fornecedor para garantir o abastecimento das gôndolas brasileiras. De acordo com analistas do setor, a expectativa é que a entrada de cebolas importadas seja ainda maior ao longo de todo o mês de abril para equilibrar os preços.
A dependência externa é um reflexo direto da vulnerabilidade do cultivo de cebola ao excesso de umidade. Quando as chuvas ocorrem no período de colheita ou desenvolvimento final, o risco de perdas por doenças fúngicas e apodrecimento aumenta drasticamente, reduzindo a oferta de produtos com padrão comercial.
Fazenda-escola no Paraná fatura R$ 2 milhões
Enquanto o setor de hortifrúti enfrenta desafios climáticos, o ensino agrícola no Sul do país apresenta resultados financeiros expressivos. Um colégio agrícola em Castro, localizado na região dos Campos Gerais, no Paraná, consolidou um modelo de "fazenda-escola" de sucesso.
A instituição faturou mais de R$ 2 milhões em 2025 com a comercialização de leite, grãos e suínos. No último ano, a produção atingiu marcas de 2 mil litros de leite por dia e colheu mil toneladas de milho e 300 toneladas de soja.
O diferencial do projeto é a gestão feita por meio de uma cooperativa escolar. Todo o recurso gerado é reinvestido na infraestrutura da escola e na formação técnica dos alunos, que participam de todas as etapas produtivas. O modelo une a teoria da sala de aula com a prática de mercado, preparando profissionais qualificados para o agronegócio paranaense.
Mato Grosso consolida liderança mundial no gergelim
Outro destaque do agronegócio brasileiro é a expansão da cultura do gergelim no Mato Grosso. Nos últimos cinco anos, o estado mais que triplicou a área destinada ao cultivo do grão. Na safra atual, foram plantados 700 mil hectares, um crescimento de quase 50% em comparação ao ciclo anterior.
O avanço é sustentado pela forte demanda internacional. Atualmente, cerca de 99% de tudo o que é produzido no estado é destinado à exportação. O município de Canarana, no leste mato-grossense, consolidou-se como a "capital mundial do gergelim", atraindo investimentos e novos mercados.
O gergelim tem se tornado uma opção estratégica para o produtor como cultura de segunda safra (safrinha). Por ser uma planta resistente ao estresse hídrico, ela se adapta bem ao período de menor incidência de chuvas, garantindo rentabilidade e diversificação na propriedade rural.
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