Agro

Orçamento federal e agronegócio: Antonio Cabrera analisa prioridades

Colunista da BandNewsTV criticou a alocação de recursos públicos e apontou desequilíbrio entre o financiamento partidário e o setor produtivo

Da redação

DA REDAÇÃO

10/08/2026 • 13:33 • Atualizado em 10/08/2026 • 13:33

Lavoura irrigada no Paraná
Lavoura irrigada no Paraná - Foto: Gilson Abreu/AEN

O orçamento federal e a distribuição de recursos destinados ao agronegócio foram destaques na coluna desta segunda-feira (10) do ex-ministro da agricultura e colunista da BandNewsTV, Antonio Cabrera. Ele destacou a complexidade do tema e apontou como a destinação de verbas públicas expõe as reais prioridades do país, sobretudo em um ano eleitoral.

Na avaliação de Cabrera, os valores aprovados para 2026 priorizam o financiamento de partidos e campanhas políticas em detrimento de investimentos essenciais para a produção de alimentos , infraestrutura e alimentação escolar.

Ao comparar os montantes previstos no orçamento federal, Cabrera ressaltou que o fundo eleitoral deve receber R$ 4,9 bilhões em 2026. Somado ao fundo partidário, estimado em R$ 1,4 bilhão anual, o montante direcionado às legendas políticas chega a aproximadamente R$ 6,3 bilhões.

Comparativo de investimentos no agro e infraestrutura

Para evidenciar a desproporção na alocação das verbas, Cabrera citou os recursos destinados ao seguro rural, ferramenta indispensável para que os agricultores enfrentem intempéries climáticas como secas, geadas e granizo . Em 2023, o programa executou cerca de R$ 581 milhões. Segundo Cabrera, o Brasil destina mais de dez vezes mais recursos para financiar campanhas e partidos do que para proteger quem produz alimentos no campo.

A infraestrutura logística do país também foi alvo de comparações durante a entrevista. O investimento federal no modal hidroviário foi de cerca de R$ 529 milhões no último ano. Cabrera ressaltou que as hidrovias representam uma das rotas mais eficientes e econômicas para o transporte de grãos, fertilizantes, minérios e alimentos a longas distâncias. Ele criticou o fato de um país com uma das maiores bacias hidrográficas do mundo destinar quase doze vezes mais verbas para legendas políticas do que para o desenvolvimento aquaviário.

Impacto na alimentação escolar e crescimento do Estado

Cabrera também trouxe dados sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que atendeu cerca de 39 milhões de estudantes da rede pública no último ano com um orçamento de R$ 5,5 bilhões. Para Cabrera, a comparação demonstra que o financiamento de campanhas recebe mais recursos públicos do que a garantia da merenda escolar para dezenas de milhões de crianças e jovens durante todo o ano letivo.

Além das distorções orçamentárias do momento, o especialista analisou o comportamento das contas públicas nas últimas duas décadas. De acordo com os dados apresentados, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do setor privado cresceu em média 2% ao ano no período , as despesas do setor público avançaram 4% ao ano. Cabrera alertou que o crescimento do Estado no dobro da velocidade da iniciativa privada gera pressões contínuas sobre o endividamento do país e renovou o questionamento sobre quais devem ser as reais prioridades do desenvolvimento nacional.

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