Uma nova rota logística entre Roraima e a Guiana promete transformar o escoamento da produção agrícola do Norte do Brasil. A rodovia que liga a fronteira brasileira a um novo porto inaugurado este ano em Georgetown, capital guianense, vai facilitar o acesso de grãos ao Canal do Panamá. A iniciativa visa diminuir drasticamente os custos de exportação de soja e milho para mercados estratégicos, como os Estados Unidos e a Ásia, conforme reportagem especial do programa AgroBand.
O desafio da logística no extremo Norte
Para os produtores rurais de Roraima, a logística tornou-se o principal gargalo para a competitividade . Atualmente, os grãos produzidos no estado precisam descer de caminhão de Boa Vista até Manaus (AM), para somente depois seguirem pelo Rio Amazonas em direção ao Oceano Atlântico. Esse trajeto encarece o frete e aumenta o tempo de transporte.
Com a nova rota, a carga percorrerá a BR-401 até a fronteira na cidade de Lethem e, de lá, seguirá por uma nova rodovia até o porto em Georgetown. O projeto prevê a pavimentação de cerca de 300 quilômetros de estrada em solo guianense, o que deve reduzir consideravelmente o custo de produção e transporte para o setor.
Historicamente, o setor enfrentou outros desafios. Muitos agricultores que hoje impulsionam a soja e o milho em Roraima vieram do Sul do Brasil entre as décadas de 80 e 90. Após a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, no início dos anos 2000, muitos produtores de arroz foram deslocados e buscaram alternativas em novas terras e na diversificação de culturas. Na última safra, a soja alcançou a marca de 150 mil hectares de cultivo no estado.
Atratividade e segurança jurídica na Guiana
A Guiana, país vizinho que faz fronteira com Roraima e Pará, deixou de ser uma das nações mais pobres do mundo para alcançar um crescimento econômico acelerado, impulsionado pela descoberta de petróleo em sua costa em 2015. Esse novo cenário econômico permitiu investimentos pesados em infraestrutura e atrativos para o agronegócio.
Produtores brasileiros têm encontrado no país vizinho o apoio e a segurança jurídica que buscam para expandir suas operações. O governo da Guiana adota um sistema de concessão de terras para a agropecuária, além de oferecer incentivos fiscais robustos, como a isenção de impostos sobre a produção.
O agricultor Emílio, que planta em solo guianense, destaca a diferença no tratamento institucional. Para ele, o governo local atua como um parceiro do produtor, sem impor dificuldades burocráticas excessivas. "É a dignidade da gente aqui. O governo é parceiro e não põe dificuldade nenhuma", avalia o produtor sobre o ambiente de negócios no país vizinho.
Milagre econômico e infraestrutura
O chamado "milagre econômico" da Guiana reflete-se em investimentos federais diretos em logística. Em algumas propriedades, a infraestrutura permite que a safra saia diretamente da lavoura para terminais de embarque integrados. Com uma população de apenas 800 mil habitantes, a Guiana utiliza os recursos do petróleo para pavimentar o caminho de sua ascensão como um hub logístico regional.
A integração entre Roraima e o porto de Georgetown não apenas encurta distâncias físicas, mas posiciona o agronegócio brasileiro de forma mais agressiva no comércio internacional, aproveitando a privilegiada saída para o Caribe e a proximidade com as rotas que atravessam o Canal do Panamá.
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