
Após enfrentar alguns anos de baixa produção, um reflexo de invernos com picos de calor, a safra nacional de maçã 2025/2026 deve ser finalizada com um volume 30% maior, em torno de 1,15 milhão de toneladas da fruta. Celso Zancan, diretor da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM) , afirma que a recuperação na produção é um reflexo direto do clima que atingiu as principais regiões produtoras (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) no ano passado, com um inverno mais regular e frio.
Segundo ele, o volume projetado para a atual safra devolve ao setor o patamar de normalidade produtiva . A abertura oficial da colheita ocorreu em fevereiro, no município de Vacaria, no Rio Grande do Sul. Segundo a associação, o desempenho atual é fruto de um inverno rigoroso no ano anterior, que beneficiou o desenvolvimento das macieiras. Na safra 2024/2025, o Brasil produziu em torno de 915 mil toneladas.
Clima favorece a qualidade e o calibre dos frutos
O sucesso desta temporada está diretamente ligado ao acúmulo de frio durante o inverno de 2025 na região Sul. Celso Zancan aponta que o registro de 550 a 600 horas de temperaturas abaixo de 7,2°C permitiu o chamado "sono profundo" das plantas.
Esse processo técnico é essencial para a dormência da macieira. Quando a planta descansa adequadamente no frio, a brotação na primavera ocorre de forma mais vigorosa e uniforme. O resultado direto para o consumidor são frutos com maior calibre (tamanho), crocância acentuada e alto teor de açúcar.
Além do vigor das plantas, o clima equilibrado reduz a necessidade de intervenções químicas no campo. Com macieiras mais saudáveis, o produtor consegue entregar um alimento de padrão superior tanto para o mercado interno quanto para o exterior.
Exportações e desafios em Santa Catarina
Com o aumento da oferta, as projeções para o mercado externo também são otimistas. O Brasil planeja exportar 60 mil toneladas de maçã neste ciclo. Desse total, 40 mil toneladas devem sair dos pomares do Rio Grande do Sul e 20 mil toneladas de Santa Catarina.
Santa Catarina, que detém o título de maior produtor nacional, enfrenta uma nuance de mercado específica. Houve uma migração de áreas antes ocupadas por maçã para o plantio de grãos, como o milho. No entanto, a alta produtividade por hectare nesta safra deve compensar a redução da área plantada.
A competitividade da fruta brasileira lá fora depende justamente dessa manutenção da qualidade. Países da Europa e do Oriente Médio são destinos frequentes da produção nacional, valorizando o equilíbrio entre sabor e durabilidade pós-colheita.
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