Agro

Embrapa cria salmão, lula e caviar veganos em impressora 3D

A tecnologia desenvolvida em Brasília (DF) utiliza tintas alimentícias para reproduzir gosto e nutrientes de frutos do mar originais

VIVIANE TAGUCHI

30/05/2026 • 16:13 • Atualizado em 30/05/2026 • 16:13

Caviar vegano pode ser fabricado de forma tecnológica na Embrapa
Caviar vegano pode ser fabricado de forma tecnológica na Embrapa - Foto: Envato Elements

O Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia , em Brasília (DF), desenvolveu protótipos de alimentos de base vegetal que mimetizam filé de salmão, caviar e anéis de lula. Após 30 meses de pesquisa, os cientistas conseguiram criar amostras que, além de copiar as formas, possuem sabor e características nutricionais semelhantes aos alimentos de origem animal.

O projeto, coordenado pelo pesquisador Luciano Paulino da Silva, utiliza impressoras 3D para processar tintas alimentícias constituídas por proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas , além de corantes naturais e espessantes. Segundo a pesquisadora Cínthia Bonatto, os insumos são, em sua maioria, os mesmos utilizados na culinária doméstica.

Tecnologia utiliza material genético de "Arca de Noé"

Para alcançar a similaridade com a composição animal, parte dos insumos foi obtida nos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa. Este repositório, considerado uma "arca de Noé" genética, reúne 140 acervos com material de milhares de plantas, microrganismos e animais.

A biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz ressalta que a tecnologia permite o enriquecimento nutricional dos produtos impressos. Essa aplicação é vista como uma ferramenta potencial para o combate à fome e subnutrição, além de atender públicos com restrições alimentares ou que optam por não consumir carne.

Sustentabilidade e mercado de alimentos plant-based

Além do fator nutricional, a impressão de alimentos pode contribuir para a redução da pesca predatória e evitar o sofrimento no abate de animais. A pesquisa contou com o financiamento do Good Food Institute (GFI), organização global que fomenta a criação de proteínas alternativas.

Apesar de as amostras já terem sido testadas por humanos, com aprovação de comitês de ética, ainda não há uma data definida para o lançamento comercial. O modelo de negócios pode variar desde o uso de impressoras domésticas e em restaurantes até a produção em escala industrial.

Atualmente, o Brasil acompanha uma tendência global, com experimentos semelhantes sendo realizados na Unesp, em parceria com a Universidade Harvard e a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura. Países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura já comercializam alimentos produzidos por meio dessa tecnologia.

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