O Ibama publicou uma diretriz no Diário Oficial da União que autoriza a captura e o abate do pirarucu em bacias hidrográficas situadas fora da região amazônica. A medida busca controlar a propagação do peixe, considerado um predador de topo de cadeia, em ambientes onde foi classificado como espécie exótica invasora.
O alerta ganhou urgência após a confirmação de que o animal, originário da Amazônia, iniciou um processo de reprodução no Lago Paranoá, em Brasília.
O peixe, que pode alcançar até três metros de comprimento e pesar 200 quilos, tornou-se uma presença comum no cotidiano de quem frequentou o espelho d'água da capital federal.
Relatos de navegadores e frequentadores de clubes indicaram avistamentos frequentes em pontos como o Pontão do Lago Sul e a Ponte do Bragueto. Em um dos registros colhidos pela reportagem de Valtendo de Oliveira, uma testemunha afirmou ter avistado o animal a pouco mais de um metro de distância do cais onde estava.
Impacto ambiental e estratégias de controle
A decisão do órgão ambiental de liberar a pesca e o abate visou mitigar os danos causados pela espécie à fauna local. Por ser um predador com alta capacidade de consumo, o pirarucu desequilibrou ecossistemas onde foi introduzido artificialmente.
Além do Lago Paranoá, a medida do Ibama citou áreas específicas nas regiões Nordeste e Sudeste do país, onde a erradicação do peixe foi considerada necessária para proteger as espécies nativas.
Especialistas explicaram que o comportamento do pirarucu facilitou sua identificação, uma vez que o animal precisou subir à superfície para respirar em intervalos de 10 a 20 minutos. Essa característica biológica auxiliou pescadores autorizados na tarefa de localizar e remover os exemplares das águas não amazônicas.
Exista uma dualidade da espécie: enquanto fora de seu habitat ela foi tratada como ameaça, na Amazônia o pirarucu permaneceu protegido por leis ambientais e períodos de defeso.
Riscos de danos irreparáveis ao ecossistema
A preocupação das autoridades residiu na velocidade com que o invasor consumiu outros peixes, colocando em risco a biodiversidade de rios e lagos que não possuíam defesas naturais contra um animal deste porte.
Pescadores locais, como Giovanni e seu sobrinho, demonstraram disposição em cumprir a determinação do Ibama, entendendo que o controle populacional foi a única forma de evitar um impacto ambiental ainda mais profundo e irreversível.
O pirarucu, frequentemente chamado de "fóssil vivo" devido à sua origem que remete à era dos dinossauros, exigiu um manejo rigoroso para que sua expansão geográfica não resultasse na extinção de peixes nativos do Cerrado e de outras regiões.
O Ibama reforçou que a autorização para o abate foi restrita às zonas de invasão, mantendo a proibição de pesca desordenada em seu bioma de origem.
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