Agro

CNA quer Plano Safra de R$ 623 bilhões e mudanças em políticas públicas

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil entregou ao governo federal propostas que incluem R$ 4 bilhões para subvenção ao seguro

Da redação

DA REDAÇÃO

29/04/2026 • 12:13 • Atualizado em 29/04/2026 • 12:13

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou ao Ministério da Agricultura, nesta quarta-feira (29), as propostas para o Plano Safra 2026/2027 , solicitando R$ 623 bilhões em recursos para financiamento. O montante sugerido pela entidade visa garantir o custeio, investimentos e a comercialização da produção brasileira.

Do total pedido, a CNA sugere que R$ 518,2 bilhões sejam destinados à agricultura empresarial, enquanto R$ 104,9 bilhões devem ser voltados ao fortalecimento da agricultura familiar.

Foco no seguro rural e proteção climática

Uma das prioridades centrais do documento entregue ao ministro André de Paula é o seguro rural. A entidade solicita a garantia de R$ 4 bilhões para subsidiar o prêmio do seguro, um mecanismo considerado vital para proteger os produtores contra perdas financeiras.

A preocupação ganha força diante das previsões climáticas para o segundo semestre de 2026. A possibilidade de um fenômeno El Niño de forte intensidade acende o alerta no campo sobre o risco de quebras de safra e eventos extremos que podem comprometer a rentabilidade do setor.

Atualmente, embora o agronegócio seja um dos pilares da economia brasileira, muitos produtores ainda dependem de recursos próprios ou crédito privado. O crédito oficial, disponibilizado pelo governo, costuma priorizar pequenos e médios produtores, deixando grandes operações com maior necessidade de fontes externas.

Modernização e modelo plurianual

Além das cifras bilionárias, a CNA defende mudanças estruturais na política agrícola do país. A principal delas é a transição do modelo atual para um plano plurianual, o que permitiria uma previsibilidade maior para o setor produtivo e a redução de burocracias anuais.

A proposta também contempla o apoio à nova "Lei do Agro" e a ampliação de mecanismos de financiamento via mercado de capitais. O objetivo é diversificar as fontes de recursos e reduzir a dependência exclusiva do Tesouro Nacional para o fomento das atividades.

O documento detalha ainda a necessidade de atualizar os limites de renda para o enquadramento de produtores no Pronaf e no Pronamp. A medida busca ajustar os programas de apoio à realidade inflacionária e ao aumento dos custos de produção registrados nos últimos ciclos.

Análise e investimentos estratégicos

O volume recorde solicitado reflete a pressão dos custos de produção e a importância de manter a competitividade do Brasil no mercado global. A economia do setor depende diretamente da agilidade na liberação desses créditos para o planejamento das safras.

Dentro do plano de investimentos, a CNA destaca como prioridades programas como o Renovagro, focado em práticas sustentáveis, além do PCA e do PROIGRA. Essas linhas são essenciais para a modernização da infraestrutura de armazenagem e irrigação nas propriedades rurais.

O governo federal deve analisar as sugestões da confederação antes do anúncio oficial do Plano Safra . A expectativa é que o detalhamento final das taxas de juros e dos recursos disponíveis seja divulgado nos próximos meses, definindo o fôlego financeiro do campo para o período 2026/2027.

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