Agro

Gado resistente ao calor do nordeste é um dos mais puros do mundo

Bovinos da raça Sindi, melhorados pela Embrapa, são capazes de resistir às condições extremas do semiárido brasileiro

Por Redação

REDAÇÃO

22/06/2025 • 17:02 • Atualizado em 22/06/2025 • 17:02

Gado Sindi é altamente resistente às condições do semiárido
Gado Sindi é altamente resistente às condições do semiárido - Foto: Marcelino Ribeiro

Um dos rebanhos mais adaptados às condições extremas do Semiárido brasileiro é oficialmente reconhecido por sua pureza genética. Após quase dois anos de trabalho, a Embrapa Semiárido (PE) recebeu o registro de Pureza de Origem (PO) para seu rebanho da raça Sindi , concedido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A certificação é a segunda e última etapa de reconhecimento da qualidade genética dos 91 animais da unidade, entre machos e fêmeas, e abre caminho para sua utilização em programas de conservação e melhoramento genético da pecuária na região.

O registro chancela a origem dos animais e permite que a Embrapa amplie a oferta de material genético certificado — como sêmen, embriões e exemplares vivos — para pecuaristas que buscam animais mais adaptados ao clima quente e seco do Semiárido. A conquista é fruto de uma articulação técnica com a Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), que auxiliou a Embrapa nos trâmites exigidos pela ABCZ.

“O rebanho da Embrapa Semiárido é hoje um dos mais puros do Brasil. Com o registro, poderemos socializar esse material por meio da venda de sêmen, embriões e animais vivos, todos com documentação e certificação genética”, declara o pesquisador Rafael Dantas, responsável pelo Núcleo de Conservação da Raça Sindi.

Rusticidade e desempenho

Originária do Paquistão, a raça Sindi é reconhecida por sua rusticidade, resistência ao calor e capacidade de produzir carne e leite mesmo em condições adversas. De pequeno porte e com menor exigência nutricional, o gado é ideal para regiões com escassez de alimento e água, como o Semiárido brasileiro.

“Esse animal consegue converter alimentos de baixo valor nutricional em carne e leite, e pasteja em áreas onde outras raças não conseguem se alimentar. Sua rusticidade é estratégica para os cenários de mudanças climáticas”, ressalta Rafael Dantas.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba, Mário Borba, é também criador de Sindi há mais de 20 anos, com um rebanho de cerca de 150 matrizes.  “Eu estou satisfeito com isso, é um gado que se adapta bem a todo o clima. E se ele se mantém bem no Semiárido, imagina no Sul, no Sudeste. Então eu digo que é um gado universal, um gado de origem milenar, e que tem toda uma caracterização racial,que a gente tem que preservar”.

Borba reforça que o registro e a preservação do rebanho da Embrapa “tem um ganho muito positivo, levando em consideração que é uma raça milenar, uma raça que vem dos desertos do norte da Índia, e do Paquistão, e que tem uma característica muito grande com a questão semiárida, com a questão Nordeste, pelo seu tamanho, pelo seu porte, pela sua rusticidade, pela sua fertilidade, de ganho de peso também, de desenvolvimento de carcaça. O Sindi é um gado completo”, completa Borba.

Além da conservação da raça, os animais do núcleo da Embrapa também são utilizados em experimentos científicos nas áreas de nutrição, sanidade e produção de forragem. Há ainda estudos em andamento sobre cruzamentos com outras raças para melhorar a produtividade e resistência dos rebanhos locais.

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