O chanceler Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, disse que os Estados Unidos violaram a Carta da ONU ao atacar o Irã neste sábado (21). Amorim, em entrevista ao repórter Tulio Amâncio, da Band, disse que a atitude dos norte-americanos abrem precedente para uma possível guerra mundial. “É altamente preocupante porque não vivemos um momento qualquer, temos duas guerras amplas em andamento. Há um conflito no centro da Eurásia e no Oriente Médio ”, avalia. “Se esses grupos se comunicarem, há uma grande possibilidade de estourar uma guerra mundial”.
Amorim diz que a atitude de Donald Trump, em ordenar o bombardeio nas instalações nucleares de Fordow, Natanz e Esfahan, no Irã, uma operação denominada “Martelo da Meia-Noite”, violou a Carta da ONU. “A carta da ONU não reconhece uma auto-defesa preventiva que os Estados Unidos está usando em defesa de Israel”, afirmou. “Ninguém é a favor que o Irã tenha armas nucleares, mas tentamos resolver isso, a pedido do presidente dos EStados Unidos, inclusive, mas usando meios diplomáticos. Usar a força neste momento, de guerras, é altamente perigoso. Israel levou o conflito a um nível muito alto”.
Diferentemente do que ocorreu entre Estados Unidos e Iraque, quando houve uma tentativa de conciliação entre os países com a criação de um conselho de segurança, desta vez a operação ultrapassou o bom senso. “Não houve qualquer tentativa de conciliação”.
O chanceler ainda defendeu que os blocos têm o direito de se colocar do lado de quem quiser, mas quando mais defendem Israel neste conflito, mais difícil fica uma possível conciliação e bom senso. “No fundo, a operação é um estímulo maior às armas nucleares, já que a Coreia do Norte não foi bombardeada e o risco era igualmente grande”, avalia. 'Eu, particularmente, acho difícil que o Irã tenha [uma bomba nuclear], há anos ouvimos que eles levariam seis meses, a um ano de ter uma arma nuclear. Não é algo tão invisível que não pudesse ser denunciado".
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