
O ritmo intenso das exportações de carne bovina registrado no ano passado permanece neste ano e deve levar o país a registrar novos recordes. De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume embarcado no primeiro trimestre deste ano atingiu a marca histórica de 701,662 mil toneladas, representando um crescimento de 19,7% em relação ao mesmo período do ano anterior .
A série histórica de exportações revela que o desempenho atual está 36,6% acima do registrado em 2024, evidenciando a força da demanda global pela proteína brasileira. Além do aumento no volume físico, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacam a valorização da carne nacional no mercado internacional. Em março de 2026, o preço médio pago por tonelada chegou a US$ 5.814,80, o que representa uma alta de 18,7% na comparação anual.
O cenário externo favorável impacta diretamente a economia interna brasileira e os preços da carne para o consumidor final. O Centro de Pesquisas aponta que o aquecimento das vendas internacionais contribuiu para a sustentação dos preços do boi gordo no mercado doméstico durante o mês de março.
Em abril, a tendência de valorização permanece firme para os produtores e para o consumidor final. Os preços do boi gordo, do bezerro e da própria carne seguem em trajetória de alta, impulsionados pela combinação de dois fatores principais.
O primeiro fator é a demanda externa aquecida, que retira grandes volumes de carne do mercado interno para atender aos compradores estrangeiros. O segundo é a oferta restrita de animais prontos para o abate neste período, o que gera uma competição maior pelo gado disponível nas fazendas.
No agronegócio, essa dinâmica é comum: quando o mundo compra mais carne do Brasil, o produtor recebe mais pela "arroba do boi" — unidade de medida que equivale a 15 quilos . No entanto, essa valorização no campo acaba sendo repassada para os cortes vendidos nos açougues e supermercados brasileiros.
A valorização do produto brasileiro no exterior não ocorreu apenas na comparação com o ano passado. Em relação ao mês de fevereiro de 2026, o preço médio da tonelada exportada em março já apresentou um crescimento de 3,1%.
O aumento constante nos valores recebidos em dólares ajuda a equilibrar a balança comercial brasileira e traz divisas importantes para o país. Para o pecuarista, o momento é de margens mais favoráveis, embora a restrição na oferta de animais para abate exija um planejamento cuidadoso do ciclo produtivo para garantir o atendimento tanto dos contratos internacionais quanto do consumo doméstico.
As projeções para o restante do primeiro semestre dependem da manutenção do apetite dos principais mercados compradores, como a China, e das condições climáticas que influenciam o pasto e o ganho de peso do rebanho no Brasil.
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