Agro

Expointer será carbono neutro pela primeira vez em 49 anos

Parceria com a CRVR garante abatimento total dos gases poluentes gerados no evento em Esteio por meio da gestão de resíduos

Da redação

DA REDAÇÃO

18/08/2026 • 21:54 • Atualizado em 18/08/2026 • 21:54

A neutralização ambiental é viabilizada por meio da aplicação de créditos de carbono
A neutralização ambiental é viabilizada por meio da aplicação de créditos de carbono - Foto: Divulgação

A Expointer, principal feira agropecuária do Rio Grande do Sul, opera com neutralização de carbono pela primeira vez em seus 49 anos de história na edição realizada entre 29 de agosto e 6 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A compensação integral das emissões geradas durante as atividades ocorre graças a uma parceria com a CRVR, concessionária que venceu o edital público do governo estadual para coordenar a descarbonização de grandes eventos no Estado.

A neutralização ambiental é viabilizada por meio da aplicação de créditos de carbono . Na prática, cada crédito equivale a uma tonelada de gases de efeito estufa que deixou de ser lançada na atmosfera ou que foi removida do ar por meio de processos sustentáveis devidamente auditados.

O volume total de compensação considera um inventário detalhado de emissões da feira. O levantamento calcula o consumo de energia elétrica e de água, o volume de resíduos gerados e o transporte de todos os animais levados aos pavilhões para julgamentos e leilões.

O inventário utiliza a metodologia GHG Protocol, padrão internacional de referência para a contabilização e elaboração de relatórios corporativos de gases do efeito estufa. O sistema estabelece critérios técnicos transparentes para dimensionar a pegada de carbono deixada pelas operações do evento.

O público visitante também contribui diretamente com as medições. A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura instala totens informativos em seu espaço dentro do parque, permitindo que os frequentadores informem a distância e o meio de locomoção utilizado no trajeto até o parque.

As informações fornecidas pelos visitantes entram no cálculo consolidado do inventário. Com isso, todo o volume de combustível gasto pelos veículos nos deslocamentos até a feira também é neutralizado.

Para cada tonelada emitida pela feira agropecuária , a CRVR entrega uma tonelada de créditos de carbono obtidos na destinação adequada de resíduos sólidos urbanos. A empresa gera anualmente mais de 570 mil créditos de carbono por meio de aterros e centrais de valorização ambiental.

O processo compreende a destruição do gás metano, a geração de energia elétrica a partir do biogás e o refino de biometano. Esse combustível renovável substitui diretamente fontes fósseis como o óleo diesel e o gás natural na matriz econômica gaúcha.

O diretor-presidente da CRVR, Leomyr Girondi, ressalta que o projeto amplia a destinação de ativos ambientais no mercado gaúcho. “Temos uma grande geração de créditos de carbono, que são vendidos para outros países. Queremos ampliar o uso desse ativo ambiental em iniciativas que contribuam para a descarbonização. A Expointer é um marco importante, mas nossa intenção é levar essa experiência também para outros eventos do Estado”, afirma o executivo.

O modelo expande iniciativas já testadas pelo setor produtivo em feiras regionais gaúchas, como a Fenasoja, realizada em Santa Rosa, cujas emissões também receberam neutralização pela empresa de resíduos.

Durante o lançamento oficial da programação, a secretária estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, destacou a importância da economia circular no agronegócio. “Esses créditos de carbono são oriundos de resíduos sólidos urbanos, ou seja, destinação correta de resíduos, captura de gases de efeito estufa e creditação na ONU”, aponta a secretária.

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