A Embrapa aproveitou a feira Agrobrasília, encerrada no último sábado, para lançar tecnologias que auxiliam o produtor rural a enfrentar os desafios climáticos do Centro-Oeste . O plantio na região exige cuidados específicos devido às duas estações bem marcadas: chuvas abundantes de outubro a março e seca predominante de abril a setembro.
Cebola BRS Belatriz 239: solução para o plantio de verão
Um dos principais lançamentos foi a BRS Belatriz 239 , uma cultivar de cebola desenvolvida pela Embrapa Hortaliças focada no plantio de verão. Esta variedade é mais tolerante à umidade e a doenças, apresentando alta produtividade e amadurecimento acelerado.
O objetivo técnico é permitir que a cebola seja plantada no início de janeiro para colheita em maio. Essa janela é estratégica, pois o preço da cebola oscila conforme o clima: cai no inverno seco devido à colheita e sobe no período das chuvas, quando a oferta diminui.
A nova cultivar beneficia o consumidor ao garantir maior oferta durante a entressafra — período entre safras onde o mercado nacional costuma depender de importações. Com o material nacional disponível a partir de maio, busca-se estabilizar o abastecimento e os preços.
Trigo Savana e Cracker: resistência ao clima do Cerrado
Além da cebola, a Embrapa lançou duas novas cultivares de trigo adaptadas às mudanças climáticas globais, que têm reduzido o volume de chuvas ano a ano no Cerrado. As novas sementes foram selecionadas para manter a qualidade mesmo em condições de baixa umidade.
A BRS Savana foi desenvolvida para trazer mais resistência ao tempo quente e seco, sendo ideal para o sistema de sequeiro (cultivo dependente apenas da água da chuva). Já a BRS Cracker é voltada para o sistema irrigado e foca na indústria de biscoitos, visando entregar um produto final mais barato e de boa qualidade.
Produtividade recorde e credibilidade industrial
A região do Cerrado já demonstrou seu potencial ao alcançar, em 2021, a maior produtividade de trigo do mundo, com 160,5 sacas por hectare. O recorde pertence a um produtor de Cristalina, em Goiás, que utiliza a variedade BRS 264 .
Segundo especialistas ouvidos na Agrobrasília, as novas cultivares expressam um alto potencial produtivo e trazem credibilidade junto aos moinhos. A precocidade e a qualidade industrial garantem confiança para o mercado comprador, fortalecendo a cadeia do trigo nacional frente às variações climáticas.
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