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El Niño deve retornar no segundo semestre; entenda os efeitos sobre o clima

Fenômeno climático tem 62% de chance de se estabelecer entre junho e agosto; especialistas alertam para riscos de seca no Norte e excesso de chuva no Sul

Da redação

DA REDAÇÃO

28/03/2026 • 10:01 • Atualizado em 28/03/2026 • 10:01

El Niño é confirmado para o segundo semestre no Brasil e acende alerta no agro
El Niño é confirmado para o segundo semestre no Brasil e acende alerta no agro - Foto: Foto: José Fernando Ogura | AEN

O fenômeno meteorológico El Niño deve voltar a influenciar o clima no Brasil a partir do segundo semestre de 2026. De acordo com o boletim mais recente do Centro de Previsão Climática (CPC), vinculado à agência norte-americana NOAA , há uma probabilidade de 62% de o fenômeno se estabelecer no trimestre de junho, julho e agosto. A partir de agosto, as chances sobem para 80%, sinalizando mudanças importantes para o planejamento do agronegócio nacional.

Atualmente, o cenário global passa por uma transição. Após o período de influência do La Niña (resfriamento das águas do Pacífico), os modelos meteorológicos indicam uma fase de neutralidade climática entre os meses de março e maio, com probabilidade superior a 90%. É neste intervalo que os produtores rurais devem organizar o manejo, antes da chegada do aquecimento anômalo das águas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial em pelo menos 0,5°C acima da média. Esse fenômeno ocorre quando os ventos alísios — que sopram de leste para oeste na linha do Equador — enfraquecem ou invertem de direção. Sem essa movimentação, a água quente permanece parada na superfície, alterando o regime de chuvas em todo o globo.

Impactos nas regiões produtoras

Para o agronegócio, o El Niño representa um desafio de logística e produtividade devido aos efeitos opostos que provoca no território brasileiro. Nas regiões Norte e Nordeste , assim como em partes do Centro-Oeste e Sudeste, o fenômeno aumenta o risco de secas severas e estiagens prolongadas. Isso compromete o desenvolvimento das lavouras de sequeiro (aquelas que dependem exclusivamente da água da chuva).

Já na Região Sul, o cenário é inverso. O fenômeno favorece grandes volumes de chuva, principalmente durante o inverno e a primavera. Embora a umidade possa ajudar em alguns casos, o excesso é prejudicial para cereais de inverno, como o trigo. O período crítico ocorre entre setembro e outubro, quando o excesso hídrico pode causar doenças fúngicas e dificultar a entrada de máquinas no campo para a colheita.

Riscos para a safra de verão

A implantação da safra de verão também exige atenção redobrada. No Norte e Nordeste, a redução das chuvas pode gerar os chamados "veranicos" (períodos de sol forte e seca durante a estação chuvosa), prejudicando o plantio de soja e milho. No Sul, o excesso de chuva na primavera pode encharcar o solo e comprometer a qualidade das sementes.

Especialistas reforçam que a intensidade dos impactos dependerá de outros fatores, como a temperatura do Oceano Atlântico. Contudo, o monitoramento constante das atualizações do NOAA e da Conab é essencial para que o produtor rural minimize perdas e ajuste o calendário de plantio de acordo com as previsões de cada sub-região.

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