
O conflito no Oriente Médio , desde o fim de fevereiro, já provocou uam queda de 31,74% nas exportações para os países que fazem parte do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Fazem parte deste grupo a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã e Bahrein. Para os demais países importadores de produtos brasileiros, as exportações estão em alta , já que os navios buscaram uma rota alternativa, pela Turquia, para chegar à Ásia, por exemplo.
De acordo com o CCG, apesar da queda no volume exportado, o saldo acumulado no primeiro trimestre do ano, permanece positivo, com um crescimento de 8,14% e faturamento de US$ 2,41 bilhões. Os dados foram divulgados pela Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira nesta segunda-feira (13).
O bloco dos países árabes é um dos principais destinos dos produtos nacionais, principalmente do agronegócio. O fechamento do Estreito de Ormuz — canal vital que liga o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico — restringiu o acesso a portos estratégicos, interrompendo o fluxo comercial.
Carne de frango, milho e açúcar
O agronegócio representa cerca de 75% das vendas brasileiras para a região e as restrições logísticas impactaram as vendas para a região. Apenas em março, a queda é de 25,38%. O frango, principal item da pauta exportadora para a região, registrou queda de 13,80% no mês , somando US$ 185,50 milhões. Já o açúcar apresentou uma retração ainda mais acentuada, com queda de 43,37% no período. O caso mais crítico foi o do milho, que praticamente deixou de ser embarcado, com uma queda de 99,96%.
Por outro lado, alguns produtos conseguiram manter o ritmo de crescimento apesar da crise. A carne bovina registrou alta de 23,87% em março, enquanto as vendas de café saltaram 34,24% no mesmo período.
O secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, ressalta que o recuo decorre diretamente do conflito. Segundo ele, o impacto ainda não compromete o resultado agregado do ano, mas a continuidade da guerra pode agravar a situação. "As vendas para o CCG vinham em alta em janeiro e fevereiro na comparação com 2025. O recuo de março decorre do conflito e, por ora, não afeta o acumulado, mas ainda pode trazer impactos", avalia Mourad.
Outro ponto de alerta para o produtor rural brasileiro é a importação de fertilizantes. As compras desses insumos vindos do Golfo caíram 51,35% no primeiro trimestre . A região é responsável por 10% do fertilizante importado pelo Brasil, essencial para manter a produtividade das safras nacionais.
Mourad pontua que a situação preocupa ambos os lados. "É um ponto que preocupa tanto o nosso agro quanto os países árabes, que dependem da capacidade do Brasil de disponibilizar alimentos excedentes", finaliza o executivo.
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