
O setor produtivo de etanol manifestou repúdio público às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que comparou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina à prática de reduflação — termo econômico usado quando a quantidade de um produto diminui nas prateleiras sem que o preço final seja reduzido.
As informações constam em nota oficial divulgada em conjunto por entidades da agroindústria sucroenergética nesta sexta-feira (21).
O posicionamento conjunto reúne a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a Bioenergia Brasil, a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA), a União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA).
De acordo com as entidades, a declaração desinforma os motoristas e atinge uma política de Estado desenvolvida ao longo de cinco décadas sob diferentes administrações federais . O documento destaca a evolução histórica de programas de transição energética nacionais, com marcos desde a criação do Proálcool, passando pelo RenovaBio, até a aprovação da Lei do Combustível do Futuro.
As organizações apontam surpresa com a posição do senador, sob o argumento de que o texto da Lei do Combustível do Futuro tramitou e avançou no Senado com a própria anuência do parlamentar.
Benefícios do biocombustível e testes técnicos
O setor produtivo defende que o etanol garante maior octanagem ao combustível, o que representa maior resistência à detonação espontânea no motor dos veículos e melhora a eficiência mecânica. Segundo o segmento, a cadeia da cana-de-açúcar e do milho está presente em mais de mil municípios brasileiros, gerando empregos e promovendo a soberania energética do país.
As entidades apontam que a matriz nacional alcançou a autossuficiência no ciclo Otto, tecnologia que move os veículos leves no mercado automotivo nacional. A nota enfatiza que o abastecimento sustentável reduz a dependência de derivados de petróleo importados e gera economia nas bombas aos consumidores.
A definição dos teores da mistura de etanol na gasolina, segundo o posicionamento, é conduzida com rigor técnico pelo governo federal por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com acompanhamento de montadoras e importadores.
A entidade destaca que ensaios laboratoriais e de pista executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia avaliaram 16 modelos de automóveis e 13 modelos de motocicletas, representativos da frota brasileira fabricada entre 1994 e 2024. As avaliações analisaram misturas de 27%, 30% e 32% sob a supervisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), constatando a plena viabilidade operacional dos motores sem perdas de desempenho.
Confira a nota na íntegra:
"A UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a UNEM – União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil, a FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, a UNIDA – União Nordestina dos Produtores de Cana e a ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil repudiam a declaração do senador Flávio Bolsonaro comparando a mistura de etanol na gasolina à chamada “reduflação”. A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro.
Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão. A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador.
O etanol é combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética — o Brasil alcançou a autossuficiência nos combustíveis do ciclo Otto, que movem os veículos leves.A mistura vigente foi implementada com rigor técnico. As entidades signatárias reconhecem a condução responsável do processo pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética, em diálogo permanente com o setor produtivo e a indústria automotiva. Sob essa coordenação, o Instituto Mauá de Tecnologia ensaiou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e pista, nas misturas de 27%, 30% e 32%, com acompanhamento da ANP, de fabricantes e de importadores de veículos e motocicletas. A conclusão: plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.
O setor brasileiro de etanol seguirá defendendo, com fatos e ciência, o patrimônio energético que o Brasil construiu."
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