Agro

Calor intenso reduz produção de leite em 34% no Rio Grande do Sul

Estresse térmico afetou rebanhos em mais da metade do tempo no mês de fevereiro; especialistas recomendam manejo rigoroso para evitar perdas

Da redação

DA REDAÇÃO

17/04/2026 • 14:20 • Atualizado em 17/04/2026 • 14:20

O calor extremo que atingiu o Rio Grande do Sul em fevereiro acendeu um alerta vermelho para a pecuária leiteira. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura do estado, os rebanhos ficaram sob condição de estresse térmico em até 57% do tempo durante o mês , resultando em uma queda drástica na produtividade.

O impacto fisiológico do calor nos animais é direto: estima-se que a produção de leite possa sofrer uma redução de até 34%. O fenômeno ocorre porque, sob temperaturas elevadas, as vacas diminuem o consumo de alimento e gastam mais energia para tentar resfriar o corpo, o que prejudica a síntese do leite e o bem-estar animal.

Manejo e bem-estar animal contra o prejuízo

Para enfrentar o cenário de altas temperaturas e mitigar os prejuízos financeiros, técnicos do setor recomendam que os produtores adotem medidas imediatas de conforto térmico. A estratégia baseia-se no tripé: sombra, água e ventilação.

A recomendação é que os animais tenham acesso fácil a áreas sombreadas , seja por árvores ou coberturas artificiais, e que a água disponível seja fresca e em quantidade abundante. Em sistemas de confinamento ou salas de ordenha, a instalação de ventiladores e aspersores é fundamental para ajudar na troca de calor do animal com o ambiente.

Ciência brasileira recebe reconhecimento mundial

Enquanto o campo lida com os desafios climáticos, a ciência agrícola brasileira celebra um marco histórico. A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista americana Time .

O trabalho de Mariangela é um exemplo de como a tecnologia pode aumentar a resiliência do agro. Ela desenvolveu métodos para cultivar soja utilizando microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos. Atualmente, 85% da soja brasileira utiliza essa tecnologia, gerando uma economia de cerca de 25 bilhões de dólares por ano aos produtores.

Inovação na piscicultura reduz estresse térmico

A busca por soluções para o estresse no campo também chega aos tanques de peixes. Um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revelou que a planta medicinalArtemisia annuapode ser uma aliada no cultivo de tilápias em tanques-rede.

A pesquisa aponta que o uso da planta ajuda a reduzir doenças e o estresse dos peixes, além de melhorar a conversão alimentar. Com a planta, os peixes ganham mais peso consumindo menos ração, o que aumenta a eficiência da produção mesmo em condições ambientais desafiadoras.

O cenário reforça que, diante das oscilações climáticas, a união entre o manejo adequado "dentro da porteira" e a inovação científica é o único caminho para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.

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