
O preço alto de alimentos no Brasil tem provocado uma onda de falsificações e fraudes na agroindústria. Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma lista que incluía, além dos azeites e cafés, alimentos como cogumelos do tipo champignon em conserva e molhos prontos como ‘não-recomendados’ para o consumo. Todos os produtos apresentaram resultados insatisfatórios em laudos realizados por laboratórios.
O azeite é o produto que mais tem problemas. Somente em 2025, a Anvisa já determinou o recolhimento e suspensão da comercialização de 20 marcas. Na lista publicada nesta semana, a agência incluiu mais uma marca. Entre os principais problemas dos azeites, estão irregularidades administrativas das empresas importadoras, adulteração ou falsificação do produto, com a adição de outros óleos, falta de padrões sanitários, rótulos que não atendem às exigências da legislação brasileira e origem desconhecida das matérias-primas ou da própria composição do produto.
Depois do azeite, o café entrou para a lista de alimentos proibidos. Os casos de café adulterado aumentaram consideravelmente desde o fim do ano passado, quando o preço do café começou a subir. Em alguns supermercados, fabricantes de café iniciaram as vendas de um produto ‘similar’. Por se tratar de um pó com sabor de café, logo o produto ganhou o nome de ‘cafake’.
Segundo a Anvisa, os produtos possuem apenas grãos descartados pelas indústrias de café (que seriam jogados no lixo), casca de café, subproduto usado como fertilizantes de lavoura e galhos. Alguns lotes foram identificados com altos índices de micotoxinas, uma substância que se prolifera em grãos e que pode ser prejudicial à saúde humana.
Excesso de dióxido de enxofre
Nesta semana, a Anvisa também determinou o recolhimento dos lotes da polpa de fruta de morango da marca De Marchi após o resultado inconsistente em um ensaio de pesquisa de matérias estranhas, conforme laudo de análise emitido pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen/SC).
Também por resultado insatisfatório sobre quantidade de dióxido de enxofre acima do limite permitido, a Anvisa pediu o recolhimento de um lote do champignon inteiro em conserva, da marca Imperador, fabricado pela Indústria e Comércio Nobre. O laudo foi emitido pelo Lacen-DF.
O molho de alho da marca Qualitá , fabricado pela Sakura Nakaya Alimentos , também teve um lote recolhido, por resultado insatisfatório no ensaio de pesquisa quantitativa de dióxido de enxofre, que se encontra acima do limite permitido, conforme laudo também emitido pelo Lacen-DF.
E, no caso do azeite que entrou para a lista nesta semana, a proibição se deu devido ao produto ter origem desconhecida e estar em desacordo com as análises físico-químicas. A marca é a Vale dos Vinhedos.
Veja a lista completa de alimentos proibidos em 2025:
Azeites:
Cafés:
Outros alimentos proibidos:
O que fazer em caso de consumo ou compra destes lotes?
De acordo com a Anvisa e o Mapa, as infrações fazem com que os produtos se enquadrem na definição de alimentos corrompidos, adulterados, falsificados, alterados ou avariados. Com isso, suspende-se a comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso desses produtos, que terão todos os lotes retirados dos mercados. A venda configura uma infração sanitária. Por isso, os estabelecimentos devem separar as unidades disponíveis e comunicar o fato à Vigilância Sanitária municipal para que ela possa tomar as medidas cabíveis.
Segundo o Mapa, os consumidores que tenham adquirido os produtos listados devem deixar de consumi-los imediatamente. É possível solicitar a substituição do produto com base nas disposições do Código de Defesa do Consumidor.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
