Agro

Preço da carne vai subir de novo no Brasil; entenda alta de preços

Número de animais prontos para o abate vem caindo e, por isso, oferta de carne no mercado ficará mais restrita, aumentando os preços; carne de frango também pode subir

VIVIANE TAGUCHI

05/07/2025 • 17:50 • Atualizado em 05/07/2025 • 17:50

Fim do ciclo implica em menor oferta de boi gordo pronto para o abate
Fim do ciclo implica em menor oferta de boi gordo pronto para o abate - Foto: Saul Schramm/Secom

Se os brasileiros já estão reclamando dos preços altos do café, preparem-se, pois a tendência é que a carne bovina, que vinha com preços estáveis há cerca de dois anos, voltará a subir nos próximos meses e pode ter um aumento muito significativo em 2026. Isso porque está terminando o ciclo de maior oferta de bois no mercado e a oferta, daqui pra frente, deve ser reduzida.

De acordo com o departamento de agronegócio do Itaú BBA, além da carne bovina, também devem ter preços mais altos, até o fim do ano, a carne de frango. Isso pode ocorrer porque as exportações devem ser retomadas após o encerramento do caso de gripe aviária em uma granja comercial. O Itaú prevê inclusive recordes de exportações para a carne de frango nacional até o fim de 2025.

Ciclo da pecuária: tendência de alta

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação das carnes acumula uma alta de 23% nos últimos 12 meses. "Desde agosto do ano passado, a alta do boi gordo tem sido integralmente repassada para o preço da carne, tanto no mercado interno quanto nas exportações", disse Cesar de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA.

A projeção do banco é que a produção de carne vai cair 1% neste ano, já que ainda há animais no campo disponíveis para o abate, sobretudo vacas e uma entrada, no segundo semestre, de bois confinados. No entanto, esse volume de animais deve começar a cair consideravelmente em 2026, período que marca o fim do ciclo de alta oferta da pecuária. “Para o ano que vem, há uma tendência de redução na oferta de animais e alta nos preços ao consumidor”, diz.

De acordo com a projeção do Itaú, a produção de carnes também deve cair nos Estados Unidos, em torno de 2% neste ano e 4% no ano que vem. “Em 2026, quando o Brasil deverá ter oferta de gado para abate menor, os EUA também estarão com disponibilidade bastante restrita, o que reforça a expectativa de preços em elevação”, destacou o executivo.

O que é ciclo da pecuária?

O ciclo da pecuária é um fenômeno caracterizado pela flutuação dos preços do gado e da carne , com fases de baixa e de alta que se repetem de tempo em tempo. Essa flutuação é causada pela n atureza da pecuária de corte , que é uma atividade de ciclo longo em que a resposta da produção a estímulos externos, como os preços recebidos, acontece de forma muito lenta.

Quando cresce a oferta de bois gordos, os preços caem, e as demais categorias como os bois magros, bezerros e matrizes também se desvalorizam. Pressionados por dificuldades financeiras, os criadores vendem mais vacas para o abate. O abate de fêmeas aumenta a oferta de carne e os preços caem ainda mais.

Com a redução do número de matrizes, fica comprometida a produção de bezerros, a reposição dos animais do rebanho de cria e a oferta futura de bois para o abate. Depois de alguns anos, a escassez de bois para abate e de novilhas para reposição das vacas descartadas força a alta dos preços, recomeçando o ciclo.

Exportações recordes de frango

Para a carne de frango, a tendência também é de alta, mas bem mais suave, já que o que deve balizar o preço são as retomadas das exportações após o caso de gripe aviária em Montenegro (RS), que levou a suspensão das importações por mais de 30 países - 24 já retomaram as compras nesta semana.

Em maio, as exportações de carne de frango brasileira caíram 13,4% e quase 22% até a segunda quinzena de junho. O que não foi exportado foi distribuído no mercado doméstico, aumentando a oferta e fazendo o preço cair. De acordo com o Itaú BBA, a inflação do frango, no período, caiu 16%, para as vendas no atacado.

A projeção do banco, porém, é que, com a retomada das exportações nas próximas semanas, o Brasil pode, inclusive, bater novos recordes de vendas internacionais, o que equilibraria a oferta no Brasil, e aumentaria os preços do produto.

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