Saúde

Brasileiro busca mais por canetas emagrecedoras que por dieta; entenda

Interesse por princípios ativos de remédio para perda de peso chegou a triplicar em um ano

Luccas Balacci

LUCCAS BALACCI

01/09/2025 • 20:39 • Atualizado em 01/09/2025 • 20:39

Quatro entre os dez termos mais buscados com "para emagrecer" são sobre remédios
Quatro entre os dez termos mais buscados com "para emagrecer" são sobre remédios - Foto: Reprodução/Jornal da Band

Queremos tudo para agora. Na onda do imediatismo, mais brasileiros recorrem às canetas emagrecedoras para acelerar a perda de peso. Conforme dados do Google Trends , apurados pela Sala Digital , parceria entre a Band e o Google, a curiosidade sobre os princípios ativos dos medicamentos vive um recorde.

O interesse pela tirzepatida, do Mounjaro , quintuplicou do ano passado para 2025. O da semaglutida, do Ozempic , quase dobrou. Das dez principais buscas com o termo "para emagrecer" neste ano, quatro estão relacionadas aos remédios.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), inclusive, está de olho nas canetas emagrecedoras, consideradas soluções milagrosas para secar o corpo. Na semana passada, o órgão federal endureceu as regras para manipulação de insumos usados em remédios como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Por um lado, as restrições servem para frear dosagens acima do recomendado, com riscos à saúde. Por outro, também impedem o uso dos remédios a preços mais baratos que das canetas tradicionais.

Em consultórios, pacientes deixam explícito o desejo de usar algum dos medicamentos injetáveis. Desde junho, a Anvisa tornou obrigatório ter receita médica para comprar as canetinhas. O documento, inclusive, fica retido na farmácia.

“Nós recebemos no consultório muitas solicitações diretas. O paciente já vem com essa mentalidade de usar o medicamento. O perfil das pessoas é querer se livrar o mais rápido possível do peso”, afirma o endocrinologista Fabiano Braga, especialista em medicina do esporte, reposição hormonal e emagrecimento. “As canetas são uma medicação adjuvante, complementar ao tratamento. Temos pilares para auxiliar essas pessoas a sair dessa condição de sobrepeso e obesidade, como regulação do sono e trabalhar as reposições hormonais.”

A promessa de emagrecimento desses remédios fez, inclusive, conforme dados do Google Trends , com que o interesse de buscas por remédios contra obesidade do tipo agonista de receptor GLP-1 superassem (e muito!) o interesse por dietas e plano alimentar. Só que uma coisa não pode substituir a outra.

Veja o gráfico na íntegra:

“O princípio básico do tratamento de qualquer paciente que tenha sobrepeso, obesidade e doenças associados é a busca da mudança comportamental. Quem já não ouviu alguma vez na vida a famosa frase “quer emagrecer, fecha a boca”. Fácil de falar, difícil de fazer”, explica o diretor do Instituto de Medicina Sallet, José Afonso Sallet, especialista no tratamento da obesidade e doenças metabólicas. “O nosso trabalho, é dar a esses pacientes uma estrutura de informação e de equipe transdisciplinar que permita abordar as diferentes fases e orientá-los e motivá-los a isso.”

O Brasil aparece no top 10 dos países que mais buscam pelas três principais substâncias das canetas emagrecedoras – é o quarto no interesse por tirzepatida e o oitavo pela semaglutida e a liraglutida . Essa última, inclusive, voltou aos holofotes com o lançamento do Olire, primeiro medicamento de fabricação nacional.

Veja o gráfico na íntegra:

Segundo Sallet, a liraglutida foi lançada com o objetivo de auxiliar no tratamento ao diabete. “Obviamente, acabou refletindo em uma perda de peso. Ela tem uma eficácia relativamente boa associada a outras medicações, mas não de tanto impacto. A partir da síntese do hormônio GLP-1, o impacto tanto na perda de peso no controle do diabete, na verdade, foi muito maior.”

O uso de canetas emagrecedoras é infalível? Para Braga, não é tão simples assim. “O uso indiscriminado pode levar a uma redução da massa muscular, que prejudica a atividade física. A balança engana um pouco, a gente acha que o paciente perdeu peso moderado de maneira saudável quando, na verdade, perdeu uma taxa de massa muscular muito acima do que era necessário.”

Para Sallet, a caneta emagrecedora é eficaz, mas deve ser acompanhada de uma mudança de hábitos. “Todas essas medicações realmente são efetivas, mas a orientação médica e de uma equipe transdisciplinar, auxiliando o paciente realmente numa mudança comportamental, é o que vai tornar esse tratamento muito mais eficiente e duradouro.”

Veja o gráfico na íntegra:

BandNews Live: canetas emagrecedoras

As entrevistas nesta reportagem fazem parte do programa BandNews Live , apresentado por Thalyta Almeida, diretamente da Sala Digital Band Google . O programa abordou as medidas da Anvisa sobre o uso de canetas emagrecedoras e os impactos do remédio na saúde e na perda de peso. Confira o programa na íntegra:

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