Receitas

Morre o chef Rafael Brito, que trabalhou em Pesadelo na Cozinha e MasterChef

O chef Rafael Brito produziu dez temporadas do MasterChef Brasil, além do Pesadelo na Cozinha: “Um cozinheiro maravilhoso”, disse Jacquin

FLÁVIA BEZERRA

27/08/2025 • 15:01 • Atualizado em 27/08/2025 • 15:01

Morre o chef Rafael Brito, que trabalhou em Pesadelo na Cozinha e MasterChef, aos 37 anos
Morre o chef Rafael Brito, que trabalhou em Pesadelo na Cozinha e MasterChef, aos 37 anos - Foto: Reprodução/Instagram

Morreu na terça-feira, 26 de agosto de 2025, o chef Rafael Brito . Aos 37 anos recém-completados no dia 05 de julho, Rafael lutava contra um câncer metastático e estava em tratamento médico, realizando sessões de quimioterapia . Um dia antes de seu falecimento, na segunda-feira dia 25 de agosto de 2025, Rafael apresentou piora no quadro clínico e precisou passar por uma cirurgia de emergência. Foi entubado na manhã seguinte e sofreu uma parada cardíaca no mesmo dia. Mesmo após reanimação, acabou indo a óbito. Ele deixa uma filha de oito anos e enorme saudade no coração do time de gastronomia do Grupo Bandeirantes de Comunicação .

Rafael Brito entendia de gastronomia de televisão como poucos. Na Band, produziu dez temporadas do MasterChef Brasil , além do Pesadelo na Cozinha – inclusive a última temporada, gravada entre 18 de novembro de 2024 e 26 de fevereiro de 2025. Ao lado do também chef culinarista Peter Katzenbeisser, Rafael montava os pratos dos novos cardápios dos restaurantes do Pesadelo, ajudava a desenvolver as receitas e fazia a montagem da mesa para gravação. Ele criava, executava, produzia e encantava não só quem assistia aos episódios, mas também quem trabalhava com ele no dia a dia.

Na manhã seguinte ao seu falecimento, na quarta, dia 27 de agosto de 2025, o chef e apresentador Érick Jacquin falou publicamente, em seu perfil na rede social Instagram, sobre a partida de Rafael. Dono de uma sensibilidade ímpar, Jacquin transmitiu o sentimento de todo o time gastronômico da Band: a sensação de injustiça frente a uma partida tão precoce e de alguém tão cheio de futuro.

"Ontem foi embora um amigo nosso, um cozinheiro da nossa família, que trabalhava no MasterChef e na equipe de gastronomia do Pesadelo. Um menino maravilhoso, muito jovem... é injusto, não suporto isso. Ele era muito profissional, um cozinheiro maravilhoso, com grande futuro. Rafael, vá voar sozinho, mas acompanhado de todo mundo que está lá em cima"

Em sua última entrevista ao Band Receitas , em março de 2025, Rafael contou com orgulho sobre o suflê – preparado por ele – para a gravação do premiado Ainda Estou Aqui , dirigido por Walter Salles. Ainda nas primeiras cenas da obra, Eunice, interpretada pela vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz dramática Fernanda Torres, pede à filha mais velha, Vera, que “trate de não sumir, porque hoje eu vou fazer suflê”. Era o famoso suflê de queijo da "Dona Eunice", mencionado outras quatro vezes no filme e reverenciado no capítulo "Já falei do suflê?", do livro “Ainda estou aqui”, de Marcelo Rubens Paiva — que deu origem ao longa. Rafael repassou dezenas de testes de coloração e de textura: "Tudo é feito milimetricamente. Os pratos que dão certo [na ficção] precisam ter mais viço que daquele servidos em restaurante. Trabalhamos a estética em torno da intenção do prato em cena", disse Rafael na época à editora Julia Cabral.

Além desta, Rafael teve outras duas passagens recentes e importantes pelo Band Receitas: foi o produtor gastronômico da série digital Truque de Chef com Raul Lemos , exibida no fim de 2024, e compôs o júri do ranking que elegeu os melhores panetones do Natal também de 2024 , ao lado dos colegas de profissão Flora de Castro, Rogério Holanda e Bruno Hashimoto.

Bruno Hashimoto, aliás, também é chef culinarista da Band, além de amigo pessoal do Rafael. Para este obituário, Bruno falou com emoção sobre a partida do amigo, além de relembrar momentos juntos.

Os dois se conheceram há dois anos, quando trabalharam no Ici Brasserie, renomado restaurante francês em São Paulo. Rafael chegou ao estabelecimento quando Bruno já estava lá, mas a conexão de ambos foi imediata, justamente pelos hobbies em comum. Rafael amava ouvir Charlie Brown Jr, andar de skate e surfar. No Ici, os dois amigos cuidaram da praça do fogão. “Rafael era criativo demais. Eu ficava admirado com a habilidade dele de pensar em segundos. Enquanto eu precisava sentar e pesquisar referências para a cozinha, ele apenas tirava da cartola algo genial”.

Depois, foi a vez de Rafael retribuir a “mãozinha” de Bruno no restaurante e apresentar o amigo ao universo da televisão. “Quem conheceu o Rafael, sabe que as minhas montagens e ideias aqui na Band têm muito dele”, revelou o amigo. Sempre divertido, Rafael deixava os bastidores dos programas da Band muito leves. “Da mesma forma que ele era criativo para cozinhar, pensar nas provas e ideias de gastronomia, tinha um repertório de piadas excelente”.

Rafael fez faculdade de comércio exterior e gastronomia, se formando aos 23 anos. Segundo Juliana Brito, irmã do chef, a gastronomia foi o primeiro amor de Rafael.

"Ele cozinhava com nossa mãe desde pequeno e sempre demonstrou essa paixão pela comida. Ele fazia tudo com muito amor, tanto em casa, quanto nos eventos e no audiovisual. Ele se dedicou muito à profissão, além de ter sido um superpai."

O corpo de Rafael será velado e cremado no Crematório Vila Alpina, em São Paulo, na tarde de quarta-feira, 27 de agosto de 2025. O time digital da Band se solidariza com toda a família do Rafael e agradece pelo trabalho tão bem realizado. Vá em paz, Rafa.

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