Receitas

Interesse por veganismo cai no Brasil após pico em 2019, mostram dados do Google Trends

São Paulo lidera buscas; receitas com bolo, leite e chocolate vegano estão entre as mais procuradas

Babi Fava

BABI FAVA

04/08/2025 • 18:20 • Atualizado em 04/08/2025 • 18:20

Prato Vegano
Prato Vegano - Foto: Freepik

O veganismo não é mais uma tendência passageira de rede social. É um movimento vivo e complexo que desafia velhos hábitos e propõe uma nova forma de olhar para o prato, o planeta e os outros seres vivos.

O pulso do veganismo: o que dizem os dados

Dados da Sala Digital mostram que em 2019, o termo “veganismo” atingiu seu pico de buscas no Google no Brasil. Foi como acender um farol em meio à neblina: um país inteiro começava a se perguntar se dava para viver (e comer) de outro jeito. Mas a pandemia trouxe um recuo. Desde 2020, o interesse caiu gradualmente, voltando aos níveis de uma década atrás. Em 2025, a projeção é de menos da metade do auge.

Mas será que o silêncio dos dados significa desinteresse? Ou seria o sinal de algo mais profundo: a transição do modismo para o hábito, da curiosidade para a convicção?

São Paulo lidera o ranking de interesse por região, seguido por Distrito Federal e Santa Catarina. Não é coincidência: mais acesso, mais informação, mais opções. Lugares onde há cardápios pensados, produtos à disposição, espaços seguros para escolhas diferentes. Fora desses centros, a realidade ainda é outra. Ser vegano em muitas regiões do país é desbravar um deserto culinário, onde o máximo que se encontra é uma salada sem molho — ou batatas fritas feitas na mesma gordura do frango.

O mapa do veganismo no Brasil também revela desigualdades invisíveis. E aponta para um desafio coletivo: tornar essa escolha possível para mais gente.

O que o Brasil quer comer

A lista de buscas mais frequentes na categoria "Culinária e Receitas" é reveladora: o brasileiro não quer abrir mão do sabor. Quer continuar celebrando aniversários com bolo, comendo pão com queijo no café e churrasco no fim de semana. Essa busca por substituição é um sinal de transformação cultural.

O mercado, por sua vez, entendeu o recado. Mais de 3.500 produtos já foram certificados com o Selo Vegano da SVB, enquanto marcas gigantes atualmente investem em linhas plant-based, antes restritas a nichos e hoje encontradas nos corredores dos grandes supermercados.

Hoje, 7% dos brasileiros se consideram veganos, enquanto 74% dizem querer reduzir o consumo de carne por motivos de saúde. Esse número não aparece só nos relatórios. Ele está no seu vizinho que parou de tomar leite. Na colega do trabalho que virou vegetariana. Na prateleira nova do mercado. No restaurante que agora tem uma opção sem nada de origem animal. Pode-se dizer que o veganismo está crescendo. E não como imposição, mas como possibilidade.

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