
Após sete meses de um deslizamento de terra na Avenida Professor Francisco Morato, na altura do número 5.800, na zona sul de São Paulo, a Prefeitura da capital paulista prevê o início das obras de reparo para a próxima semana.
A informação foi apurada pelo repórter Luiz Felipe Nunes, da Rádio Bandeirantes , que esteve no local nesta sexta-feira (12) e observou a presença de técnicos contratados para analisar a encosta que cedeu em fevereiro deste ano, durante as fortes chuvas de verão.
O problema, que afeta o sentido centro da via, resultou na interdição de faixas e gerou um afunilamento no trânsito, causando transtornos diários para quem circula pela região.
O trecho é um ponto crítico antigo, com registros de deslizamentos em anos anteriores nos dois lados da avenida. No entanto, a demora para uma solução definitiva em 2025 gerou questionamentos. Segundo a reportagem, a administração municipal não justificou por que uma obra emergencial não foi realizada.
O processo passou por uma licitação que, mesmo após concluída, levou cerca de dois meses para ter o contrato e a ordem de serviço assinados.
A rotina de riscos e abandono no local
Enquanto a solução não chegava, a situação na Avenida Francisco Morato se transformou em um cenário de perigo e descaso. Com a pista afunilada, apenas uma faixa ficou liberada para carros e motos, enquanto a outra foi designada como exclusiva para ônibus. A medida, no entanto, é frequentemente desrespeitada por motoristas que tentam fugir do congestionamento, arriscando-se a multas.
Para os pedestres, a travessia é ainda mais perigosa. O caminho improvisado com cones, que mudam de posição constantemente, obriga as pessoas a desviar de lixo acumulado, fios expostos e da vegetação.
Moradores e comerciantes afirmam que colisões envolvendo motociclistas se tornaram parte do "novo normal" na região. O local também se destaca pelo acúmulo de lixo, o que agrava a sensação de abandono e o mau cheiro.
A obra de contenção da encosta está orçada em R$ 8,2 milhões e tem um prazo de conclusão surpreendente: março de 2027. Ou seja, a partir do início dos trabalhos, previsto para os próximos dias, a população terá de esperar mais um ano e meio pela normalização completa do trecho. O prazo total, desde o deslizamento em fevereiro de 2025, será de mais de dois anos para a resolução do problema.
Um fator que evitou uma tragédia maior foi o período de seca dos últimos sete meses. A ausência de chuvas impediu que o deslizamento se agravasse, o que poderia derrubar mais terra e até árvores sobre a avenida, atingindo veículos e pedestres que passam por uma das vias mais movimentadas da cidade. Com a previsão de retorno das chuvas a partir de outubro, a expectativa é que as obras comecem a tempo de mitigar novos riscos.
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