A poucos dias da abertura da Copa do Mundo de 2026, os bastidores nos Estados Unidos são marcados por um misto de apatia popular e forte tensão geopolítica. Diretamente de Nova Jersey, os correspondentes da Bandeirantes revelaram um cenário preocupante que contrapõe o gigantismo financeiro do torneio ao tratamento hostil recebido por delegações estrangeiras e à falta de engajamento do público norte-americano nas ruas.
O choque com a ausência de uma atmosfera festiva ficou evidente no relato do repórter Alexandre Praetzel ao descrever uma caminhada pela Times Square, em Nova York. Em um dos pontos turísticos mais famosos do planeta, não há decoração temática, bandeiras ou menções institucionais ao Mundial. A presença do futebol se limita a ativações comerciais isoladas de marcas esportivas estampando astros como Vinícius Júnior e James Rodríguez. O desinteresse local se reflete também na imprensa escrita, com as páginas do tradicional jornalThe New York Timespriorizando a cobertura das finais da NBA e da Stanley Cup de hóquei, relegando o torneio da Fifa ao esquecimento.
Para além do clima frio nas ruas, a imigração rigorosa sob o governo de Donald Trump tem criado incidentes diplomáticos graves nos aeroportos. Um árbitro da Somália, devidamente credenciado, foi barrado em Miami e deportado imediatamente. O capitão da seleção do Iraque enfrentou uma retenção de sete horas pela imigração, enquanto os elencos de Senegal e Uzbequistão relataram tratamento hostil e revistas exaustivas. A situação mais extrema envolve a seleção do Irã, que, impedida de se hospedar em território norte-americano por restrições políticas, precisou montar sua base no México e operará em um esquema de bate-volta, entrando nos Estados Unidos apenas na véspera de suas partidas.
A passividade da entidade máxima do futebol diante desses episódios gerou críticas no Esporte em Debate. Denis Gavazzi contestou o silêncio da federação internacional perante as medidas drásticas adotadas pelo país sede. Segundo a bancada, o poder financeiro e a projeção de lucros bilionários da Fifa acabam blindando os organizadores de sofrerem punições semelhantes às aplicadas a outras nações em conflito, escancarando os dois pesos e duas medidas que regem a geopolítica do futebol atual.
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