
O economista Paulo Rabello de Castro afirmou que o escândalo envolvendo o Banco Master expõe fragilidades graves no sistema financeiro brasileiro e provoca prejuízos diretos a investidores, contribuintes e à credibilidade institucional do país. A análise foi feita durante sua participação no Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero.
Segundo Rabello, o episódio gera solidariedade imediata aos depositantes e aplicadores que ainda não receberam os recursos investidos na instituição, mesmo diante da promessa de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil. Para o economista, a demora no processo de liquidação do banco e a indefinição sobre os pagamentos ampliam o sofrimento financeiro e o estresse dos investidores.
O ex-presidente do IBGE e do BNDES criticou a interferência de órgãos externos no processo de liquidação conduzido pelo Banco Central. Na avaliação dele, a autoridade monetária agiu de forma excessivamente cautelosa e demorou a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, o que contribuiu para o aumento do rombo financeiro. Rabello também classificou como inadequada a tentativa de questionamento da decisão do Banco Central por parte de um ministro do Tribunal de Contas da União.
Outro ponto central da análise foi a exposição do Banco de Brasília (BRB) ao Banco Master. Rabello destacou que estimativas indicam um volume de até R$ 12 bilhões em aplicações do BRB na instituição privada, valor considerado incompatível com o porte e o patrimônio do banco estatal. Segundo ele, a concentração excessiva de recursos em um único ativo representou uma imprudência grave, realizada com dinheiro de correntistas e investidores do banco público.
O economista também questionou o modelo de controle estatal sobre instituições financeiras regionais. Para Rabello, a permanência de bancos estaduais controlados por governos locais representa uma fonte recorrente de escândalos, má gestão e drenagem de recursos públicos, prática que começou a ser combatida ainda nos anos 1990, com a reorganização do sistema financeiro após o Plano Real.
Na avaliação do colunista, a possibilidade de aporte do Governo do Distrito Federal para socorrer o BRB transfere o prejuízo para os contribuintes. Ele lembrou que Brasília recebe anualmente cerca de R$ 28 bilhões do governo federal para custeio da segurança pública, valor que, indiretamente, pode acabar sendo utilizado para cobrir prejuízos financeiros decorrentes da exposição ao Banco Master.
Rabello alertou ainda para os efeitos da insegurança jurídica gerada pelo caso. Segundo ele, cada escândalo financeiro compromete a confiança nas instituições, eleva a percepção de risco e pressiona as taxas de juros, agravando o custo do crédito para famílias e empresas. Esse ambiente, afirmou, contribui para manter a economia sob juros elevados, mesmo com a inflação acumulada em 12 meses encerrando 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta.
Ao comentar o cenário inflacionário, o economista criticou a contradição entre a política monetária restritiva e a alta de preços administrados pelo próprio governo, como energia elétrica e combustíveis, que pressionaram o IPCA. Para ele, essa combinação dificulta a redução sustentável dos juros.
Por fim, Paulo Rabello de Castro deixou um alerta direto aos investidores. Segundo ele, o caso do Banco Master reforça uma lição clássica da economia: não existe remuneração elevada sem risco proporcional. O economista afirmou que a busca por ganhos acima da média, associada à crença irrestrita na proteção do FGC, levou muitos aplicadores a subestimar os riscos envolvidos.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
