Rádio Bandeirantes

Cláudio Humberto vê manobra política na pressa do Senado para aprovar fim da reeleição

Para o colunista, o governo que abafar outras pautas importantes, levantadas pela oposição, que estão em tramitação

Por Redação

REDAÇÃO

22/05/2025 • 11:32 • Atualizado em 22/05/2025 • 11:32

A proposta que põe fim à reeleição para cargos do Executivo foi aprovada pelo Senado Federal nesta quarta-feira (21) com pedido de urgência para votação no plenário. No entanto, o colunista político Cláudio Humberto, doJornal Genteda Rádio Bandeirantes , levantou questionamentos sobre a real motivação por trás da celeridade na tramitação do projeto, cuja vigência só está prevista para depois de 2034.

Durante sua participação nesta quinta-feira (22), o jornalista apontou que a pressa em aprovar o fim da reeleição seria uma estratégia articulada por líderes governistas no Congresso Nacional para desviar a atenção de pautas consideradas “incômodas” ao governo federal.

"Se o projeto de fim da reeleição só vai passar a valer depois de 2034, por que a pressa para aprová-la?", questionou Cláudio Humberto. "A pressa e essa proposta fazem parte de uma estratégia dos líderes governistas do Congresso Nacional de fazer sumir pautas incômodas, como a CPI para investigar os vigaristas que roubaram os aposentados do INSS, que no atual governo chegou a valores siderais."

Segundo o colunista, além da tentativa de abafar investigações como a da CPI dos empréstimos consignados, os parlamentares da base governista também buscam enterrar demandas como o pedido de anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Para Cláudio Humberto, a oposição tem pautado o Congresso com mais intensidade do que o próprio governo, que, segundo ele, apresenta poucas propostas relevantes. "Agora, de maneira organizada, os governistas estão tentando colocar assuntos em pauta que de alguma forma soterrem essas pautas incômodas", afirmou.

Apesar das críticas à movimentação política, o jornalista considerou o fim da reeleição uma medida positiva. Ele relembrou que a adoção da reeleição, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, se deu mediante práticas controversas, como a compra de apoio parlamentar, e defendeu que o sistema tem gerado prejuízos à governabilidade.

"Desde sua aprovação no governo FHC, usando métodos bastante condenáveis, isso tem custado muito caro. O sujeito vence, assume e não desce do palanque. Ele continua no palanque tentando a sua reeleição para dali a quatro anos", analisou. "Com esse projeto, o líder do Executivo terá 5 anos de mandato, um período mais do que suficiente para aplicar os seus projetos."

A proposta agora segue para apreciação no plenário do Senado e, caso aprovada, ainda precisará passar pela Câmara dos Deputados. Se mantido o texto atual, o fim da reeleição passará a valer apenas após o ciclo eleitoral de 2034.

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