Bandeirantes

Chefe do MP: Deolane operava dinheiro do crime e tinha ligação com Marcola

Em entrevista ao Jornal Gente, procurador-geral falou sobre a operação que prendeu Deolane Bezerra; ele também abordou os riscos do PCC cooptar jovens estudantes de Direito

Por Redação

REDAÇÃO

25/05/2026 • 13:10 • Atualizado em 25/05/2026 • 13:10

O procurador-geral do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Paulo Sérgio Oliveira e Costa, foi entrevistado nesta segunda-feira (25) no Jornal Gente, daBandeirantes, e abordou temas centrais da segurança pública e do combate ao crime organizado.

O chefe do MP comentou a investigação que levou à operação que prendeu a influenciadora e advogada Deolane Bezerra . Segundo ele, as apurações começaram em 2019, após a descoberta de bilhetes em uma penitenciária de Presidente Venceslau. De acordo com as investigações, Deolane operava e lavava o dinheiro do crime organizado e possuía estreita relação com a família de Marcola, chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), e que também foi alvo da operação

Segundo o procurador-geral, as investigações conduzidas pelo GAECO e pela Polícia Civil avançaram em diferentes fases até apontarem supostas ligações da influenciadora com esquemas de lavagem de dinheiro e integrantes do crime organizado já na fase final.

Os riscos do crime organizado cooptar jovens

Ele também respondeu às críticas da OAB e afirmou que a operação que prendeu a influenciadora teve um papel pedagógico ao alertar jovens sobre riscos de cooptação pelo crime. “Não tem dinheiro fácil. Havia alguma coisa por trás (…) os jovens devem ter cuidado porque hoje em dia é muito fácil o PCC cooptar jovens”, disse.

“Uma coisa é a defesa real e garantida, que deve ser feita pelo advogado. Outra é alertar os jovens porque com o dinheiro do crime é muito fácil levar esses jovens como algo de defesa do crime, mas aí eles não tem mais como sair disso”, disse Paulo Sérgio.

Procurador defende plebiscito para redução da maioridade penal

Durante a entrevista, o procurador comentou ainda temas como redução da maioridade penal, audiências de custódia, proteção a autoridades ameaçadas, atuação do Ministério Público no combate às facções e o uso de inteligência e integração entre instituições nas investigações.

“O Congresso poderia aproveitar esse momento e propor um plebiscito para entendermos o que a população pensa disso”, disse Paulo Sérgio sobre a redução da maioridade.

Ao falar sobre o avanço do crime organizado, o procurador destacou a infiltração de facções na economia formal e afirmou que o enfrentamento exige ações coordenadas entre Ministério Público, Judiciário, polícias e órgãos de controle.

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