Eleições 2026

Cury defende mudanças no Bolsa Família e quer criar Ministério da IA

Em sabatina realizada pela TV Globo neste sábado (29), o candidato à presidência abordou propostas para áreas como educação, saúde pública e combate à violência contra mulheres

Da redação

DA REDAÇÃO

30/08/2026 • 00:54 • Atualizado em 30/08/2026 • 00:54

Augusto Cury é último entrevistado em sabatinas do Jornal Nacional co candidatos à Presidência
Augusto Cury é último entrevistado em sabatinas do Jornal Nacional co candidatos à Presidência - Foto: Renato Pizzutto/Band

O escritor de autoajuda Augusto Cury (Avante) é o último entrevistado da série de sabatinas realizadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, com candidatos à Presidência nas eleições 2026.

Durante a entrevista, o candidato defendeu que beneficiários do Bolsa Família possam assinar a carteira de trabalho sem perder o auxílio, propôs a criação de um Ministério ou Secretaria Executiva de Inteligência Artificial e Robótica e sugeriu a taxação de até 50% sobre empresas de apostas online (asbets).

Cury também se colocou como um pacificador para romper com a polarização política e defendeu repaginar a diplomacia brasileira.

Economia, Bolsa Família e taxação de bets

Ao abordar o endividamento público e os desafios fiscais, Cury apontou que a dívida federal precisa ser contida por meio de auditorias na gestão, revisão de contratos e financiamento de 10 milhões de microempresas para ampliar a arrecadação.

Entre as medidas centrais, o candidato sugeriu permitir que de 10 a 15 milhões de beneficiários do Bolsa Família ingressem no mercado formal com uma segunda renda sem perder o benefício.

O postulante também defendeu elevar a tributação sobre as plataformas de apostas esportivas para pelo menos 40% a 50%, projetando uma arrecadação adicional de até R$ 120 bilhões ao ano.

Na gestão pública, estimou que a digitalização e a aplicação de inteligência artificial podem gerar economia de R$ 150 bilhões a R$ 200 bilhões, criando espaço fiscal para a redução gradual da Selic e garantindo ganho real de 1% acima da inflação ao salário mínimo.

Enxugamento da máquina e pasta de Inteligência Artificial

Cury prometeu reduzir entre 8 e 10 ministérios por meio de fusões administrativas, mas defendeu a criação de novas estruturas estratégicas:

O candidato também defendeu a implementação de indicadores periódicos de desempenho para servidores públicos, com capacitação técnica em ferramentas digitais.

Telemedicina no SUS

Cury propôs que até 80% das consultas básicas da rede pública passem a ser realizadas por telemedicina 24 horas. Segundo o candidato, o atendimento remoto por aplicativo tem potencial para reduzir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS), que chega a superar 50 dias para consultas eletivas.

Questionado sobre conflito de interesses por já ter atuado como embaixador de uma empresa privada do setor, Cury negou qualquer vínculo atual e pontuou que o projeto seria desenvolvido pelo próprio governo.

O candidato também defendeu que as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) acompanhem as inovações tecnológicas para agilizar o atendimento nas periferias e regiões remotas.

Educação emocional e escolas de empreendedorismo

Para a educação, o candidato sugeriu transformar as escolas da rede pública de Ensino Fundamental e Médio em polos de empreendedorismo, contando com a mentoria voluntária de empresários e cursos técnicos extracurriculares.

Cury afirmou que disponibilizará seus métodos de desenvolvimento socioemocional gratuitamente às redes públicas de ensino, sem custos adicionais ao Estado. No combate ao feminicídio, defendeu a criação de aplicativos com botão de emergência georreferenciado integrado às delegacias, além do uso de drones com sirenes em centros urbanos digitalizados para acelerar o socorro às vítimas.

Diplomacia, agronegócio e pacificação nacional

No cenário internacional, Cury ressaltou a necessidade de manter uma postura de equilíbrio pragmático entre Estados Unidos e China.

O candidato criticou a imagem do Brasil no exterior e propôs treinar diplomatas e colaboradores do Itamaraty com influenciadores digitais para atuarem na divulgação do “lado bom” do Brasil.

Cita como exemplos que deveriam ser mais divulgados o Código Florestal Brasileiro (que definiu como “um dos mais rígidos do mundo”) e o potencial bioenergético do agronegócio brasileiro, com a meta de dobrar a produção de alimentos para 700 milhões de toneladas nos próximos dez anos.

Ao encerrar a sabatina, o escritor reafirmou sua disposição em atuar como figura de conciliação no Executivo. Segundo ele, o país precisa reunir o rigor fiscal e o incentivo ao empreendedorismo associados ao pensamento econômico liberal com programas de proteção e sensibilidade social voltados à redução da pobreza.

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