
“ Pode comer frango na Quaresma? ”. A pergunta voltou a disparar nas pesquisas dos brasileiros no Google nesta quinta-feira (19), logo após a Quarta-feira de Cinzas. Em meio a tradições familiares, almoços de sexta-feira e interpretações populares, muita gente percebe que não sabe exatamente o que a regra diz.
A resposta pode surpreender: não, frango é considerado carne para fins religiosos e não deve ser consumido nos dias de abstinência definidos pela Igreja Católica .
Quando começa a Quaresma?
A Quaresma é o período de cerca de 40 dias que antecede a Páscoa no calendário cristão. Em 2026, começou na Quarta-feira de Cinzas, em 18 de fevereiro, e se estende até a Quinta-feira Santa, em 2 de abril, antes da Missa da Ceia do Senhor. A Páscoa será celebrada no domingo seguinte, 5 de abril de 2026.
O número 40 remete aos 40 dias que, segundo a tradição cristã, Jesus passou no deserto em jejum e oração. Por isso, a Igreja propõe três pilares nesse período: oração, caridade e penitência. A abstinência de carne faz parte dessa lógica. Não é uma regra alimentar comum. É um gesto simbólico.
A confusão sobre o consumo de frango é frequente porque, no dia a dia, o frango costuma ser chamado de “carne branca”. Mas a classificação religiosa não segue critérios nutricionais.
Segundo a disciplina da Igreja Católica, a abstinência se aplica à carne de animais de sangue quente — o que inclui bovinos, suínos e também aves, como frango e peru. Por isso não é apenas carne vermelha que entra na regra.
Essa distinção é histórica e faz parte da tradição canônica que organiza as práticas de jejum e penitência.
Quando a carne é proibida
Segundo a crença, a abstinência deve ser observada:
Nesses dias, frango não é permitido. Além disso, há a prática do jejum (redução da quantidade de alimento), exigida na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
A regra vale para católicos a partir dos 14 anos no caso da abstinência. O jejum é recomendado para fiéis entre 18 e 59 anos, salvo exceções por motivo de saúde.
No Brasil, as orientações são acompanhadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
O que pode comer, então?
Nos dias de abstinência, são permitidos:
Por que abrir mão da carne?
Historicamente, a carne era associada a alimento de celebração, fartura e status. Renunciar o consumo passou a representar humildade, disciplina e memória do sacrifício de Cristo.
Ao longo dos séculos, as regras já foram mais rigorosas (incluindo, por vezes, restrições a ovos e laticínios). Hoje, a prática é mais delimitada, mas, ainda assim, o sentido permanece: escolher conscientemente abrir mão de algo valorizado.
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