Jornalismo

PL da anistia que tornaria Bolsonaro elegível desagrada Motta, que aposta em Tarcísio

Texto ideal para bolsonaristas desconsidera tratativas por Tarcísio de Freitas presidenciável

TÚLIO AMÂNCIO

05/09/2025 • 11:17 • Atualizado em 05/09/2025 • 11:17

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Uma das versões do projeto de lei que circula entre parlamentares da oposição — ainda não protocolada na Câmara — é considerada a “ideal” por bolsonaristas. O texto prevê devolver a Jair Bolsonaro (PL) a elegibilidade para disputar a Presidência em 2026 e concede uma anistia ampla, incluindo também o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Elaborada pelos juristas e influenciadores bolsonaristas Tiago Pavinatto e Flavia Ferronato, a proposta desagradou partidos do centrão, como Republicanos e União Brasil, além do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo parlamentares, Motta deixou clara sua posição ao líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), em reunião nesta quinta-feira (4).

A aposta do centrão é por uma anistia ao ex-presidente que o livre da prisão, mas que não o torne novamente elegível. Assim, Bolsonaro permaneceria impedido de disputar a eleição presidencial de 2026, devido às condenações na Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico em 2022.

Nesse cenário, Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, desponta como principal candidato da direita. Ele tem atuado pessoalmente pela anistia de Bolsonaro e deve voltar a Brasília na semana seguinte ao fim do julgamento da chamada “trama golpista”.

Sóstenes Cavalcante, no entanto, resiste à pressão e afirma que um texto que não contemple a reabilitação política do ex-presidente não será aceito pelos bolsonaristas.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal considera uma anistia inconstitucional e está disposto a discutir apenas a proposta do Senado, que prevê redução de penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, mas sem qualquer benefício ao ex-presidente.

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