
Silencioso e perigoso. Assim é o aneurisma da aorta, uma dilatação anormal na principal artéria do corpo humano, que pode evoluir para um caso de rompimento e causar hemorragias graves e até a morte. Foi esse risco que o apresentador doMelhor da Noite, Otaviano Costa, encarou há um ano, quando precisou passar por uma cirurgia de última hora no tórax.
O problema só foi identificado por conta de uma dor nas costas durante uma viagem em família. Um incômodo sem relação direta com o aneurisma e que serviu de alerta. “Essa dorzinha me chamou a atenção. Fui fazer um ecocardiograma, um exame simples, e descobri que tinha uma bomba-relógio dentro de mim. Minha aorta tinha se dilatado de forma exponencial e estava prestes a se romper”, conta Otaviano.
Dados da Sala Digital, uma parceria entre a Band e o Google, mostram que o interesse de busca por “aneurisma da aorta” mais que dobrou na última década, com o pico registrado em 2024 — impulsionado justamente pelo caso do apresentador. Além disso, o Brasil é o quinto país do mundo com maior interesse de busca sobre o tema, atrás apenas de Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Polônia.
O aneurisma da aorta
O médico Antonio Eduardo Zerati, cirurgião vascular do Hospital Sírio-Libanês, do Hospital das Clínicas e vice-presidente da SBACV-SP, explica que o aneurisma pode surgir em qualquer vaso sanguíneo, mas se torna mais perigoso quando afeta a aorta, especificamente, porque tem a função de transportar o sangue do coração para o restante do corpo. “A aorta é a principal artéria do corpo humano, tem um segmento torácico e um abdominal. O aneurisma da aorta ocorre quando há uma dilatação em uma parte dessa artéria, com maior frequência na região do abdômen.”
Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, o aneurisma da aorta atinge cerca de 2% das pessoas acima dos 50 anos, 5% dos homens com mais de 70 e até 20% dos irmãos de pacientes diagnosticados.
Entre os principais fatores de risco estão idade avançada, hipertensão, tabagismo e histórico familiar. “Existe um componente genético importante. Pessoas com casos na família devem redobrar a atenção”, recomenda Zerati.
No caso de Otaviano, a causa foi uma condição congênita em uma das válvulas do coração, algo que ele já monitorava, mas, por conta da pandemia, acabou atrasando os exames de rotina. Um intervalo de dois anos, que foi suficiente para que o problema evoluísse para um caso grave.
“Minha aorta tinha se dilatado de maneira exponencial e estava muito próxima de se romper. Era vida ou morte em qualquer situação. Era fazer um supino no treino, um jogo de futebol em que eu pudesse estar com o coração batendo mais rápido. E, em 30 dias, minha vida virou de cabeça para baixo”, conta o apresentador.
Otaviano precisou de uma cirurgia para corrigir a dilatação da aorta. Um procedimento complexo, que abriu seu tórax. “Foi uma cirurgia de 8 horas e meia, com o coração parado por um tempo. Meu sangue foi bombeado por uma máquina. É uma experiência quase pós-morte”, descreve.
Dias após o procedimento, o apresentador publicou um vídeo emocionado nas redes sociais para contar o que tinha vivenciado e alertar sobre a importância dos exames preventivos.
Prevenção ao aneurisma
De acordo com Zerati, nem sempre a cirurgia é necessária. Aneurismas detectados precocemente podem ser monitorados e, em alguns casos, tratados com técnicas menos invasivas. O problema, porém, é que nem sempre a dilatação traz sintomas.
“Muitas vezes é descoberto por acaso, em exames feitos por outros motivos. Ou, então, aparece em situações mais complicadas, quando o aneurisma já provoca outros problemas. Quando rompe, principalmente no abdômen, a mortalidade chega a 75%. De cada 4 pacientes, três acabam morrendo”, comenta o médico, que recomenda os exames de rotina como a melhor forma de prevenção.
Recomendação que Otaviano, hoje, segue à risca. Um ano após o susto, ele se diz recuperado e grato. “Sempre vivi de peito aberto para a vida, e sigo assim. Tenho um tubo dentro de mim, que é a minha válvula da esperança.” E ele complementa com um recado: “De peito aberto. Cuide-se. Faça o seu exame, seja ele qual for. Não deixe para amanhã o que você pode cuidar hoje.”
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