O Conselho de Segurança da ONU adiou, ao menos duas vezes, a votação de uma resolução que autoriza o uso da força para reabrir o Estreito de Ormuz , em meio a divergências entre potências internacionais e risco de escalada militar na região.
A proposta, liderada pelo Bahrein — que ocupa a presidência rotativa do conselho —, estava inicialmente prevista para quinta-feira (2), mas foi postergada para sexta (3) e, posteriormente, para este sábado (4) ou até a próxima semana. Oficialmente, o adiamento foi atribuído ao feriado da Sexta-feira Santa, mas fontes diplomáticas apontam a falta de consenso como principal motivo.
O texto da resolução prevê a autorização de “todos os meios defensivos necessários” para garantir a navegação comercial no estreito, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa grande parte do petróleo global. A medida teria validade inicial de seis meses.
Apesar do apoio dos Estados Unidos, a proposta enfrenta resistência de membros permanentes do conselho , como China e Rússia, que já sinalizaram a possibilidade de veto. A França também demonstrou reservas ao texto. Para ser aprovada, a resolução precisa de pelo menos nove votos favoráveis e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes.
O impasse ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra instalações nucleares iranianas. A ofensiva, conhecida como “Operação Martelo da Meia-Noite”, intensificou o cenário de instabilidade na região.
Além disso, a recente morte de um comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, atribuída a forças israelenses, agravou ainda mais o clima de tensão e elevou o risco de confrontos diretos.
Nos bastidores, diplomatas avaliam que o adiamento da votação é uma estratégia para tentar suavizar o texto da resolução e evitar um veto imediato, sobretudo de China e Rússia. Até o momento, a minuta do documento não foi divulgada publicamente e segue restrita às negociações entre as delegações.
Enquanto isso, o bloqueio do Estreito de Ormuz continua a gerar preocupação global, com impactos potenciais sobre o comércio internacional e o mercado de energia.
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