Jornalismo

Moradora de prédio atingido por avião em Minas Gerais sofre assédio

Jovem sobrevivente de tragédia aérea enfrenta enxurrada de ataques de cunho sexual e manipulações digitais após conceder entrevistas sobre o desastre

Da redação

DA REDAÇÃO

09/05/2026 • 02:47 • Atualizado em 09/05/2026 • 02:47

Uma das moradoras do edifício atingido pela queda de uma aeronave em Belo Horizonte, em Minas gerais, relata enfrentar uma segunda crise após o desastre: uma onda de assédio digital. Em entrevista aoEstado de Minas, Natália Bicalho, 23, descreve que, após conceder entrevistas sobre o acidente, passou a ser alvo de mensagens ofensivas e crimes cibernéticos para distorcer os fatos.

O relato aponta que o trauma psicológico decorrente do impacto do avião foi agravado por uma exposição hostil nas redes sociais. A moradora afirma que seu perfil pessoal em plataformas digitais foi inundado por contatos, em sua maioria de homens, contendo comentários de cunho sexual explícito. A gravidade da situação forçou a vítima a restringir o acesso às suas contas.

Manipulação tecnológica e ataques morais

Segundo a vítima, perfis falsos foram criados em seu nome com o objetivo de aplicar golpes financeiros, solicitando transferências de dinheiro a terceiros.

""Fizeram imagem minha com a cabeça sangrando... coisas que não aconteceram", explica a moradora, ressaltando que nem sequer estava no local no exato momento da colisão."

Diante do cenário de violência de gênero e difamação, a equipe jurídica da moradora iniciou o processo de coleta de provas. O levantamento inclui capturas de tela (prints) de comentários maliciosos e a identificação dos perfis responsáveis pela criação das imagens manipuladas.

Veja o que se sabe sobre o acidente

Um avião monomotor caiu nesta segunda-feira (4) após atingir um prédio residencial no bairro Silveira, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Três pessoas morreram com a colisão e outras duas ficaram gravemente feridas.

Duas pessoas morreram no local:  Wellington de Oliveira Pereira, 34 anos, e Fernando Moreira Souto , 32 anos. Horas depois do acidente, o empresário Leonardo Berganholli, de 50 ano s , teve a morte confirmada. O filho de Leonardo, Arthur Berganholli, de 25 anos, também estava no avião e ficou ferido, assim como Hemerson Cleiton Almeida de Souza, de 53 anos. Não houve feridos entre os moradores do prédio atingido pela aeronave.

A aeronave de pequeno porte, que transportava cinco pessoas, atingiu a lateral do prédio de três andares, localizado na rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira. A aeronave ficou destruída e os estilhaços caíram sobre a garagem do edifício.

O avião decolou às 12h16 do Aeroporto da Pampulha, foi perdendo altitude, e 12h21 colidiu contra o prédio. O destino final era o Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo. O piloto teria relatado à torre que estava com problemas de altitude antes da queda.

O avião, um modelo Embraer EMB-721C Sertanejo fabricado em 1979, não tinha autorização para fazer táxi aéreo , de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo o órgão, sem essa autorização não é possível transportar passageiros ou cargas comercialmente.

O prédio atingido por um avião em Belo Horizonte não apresenta risco estrutural, Com isso, os moradores foram autorizados à retornar para o imóvel nesta terça-feira (5) .

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