O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez sua primeira declaração pública na tarde desta sexta-feira (29) após os Estados Unidos anunciarem a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas .
Durante um evento em Sergipe, Lula criticou a decisão americana e disse que o Brasil não aceita ser tratado como “republiqueta”.
""Quer combater crime organizado, entregue os nossos que estão lá. Não aceitamos ser tratados como moleques, como republiqueta", disse o presidente."
O presidente condenou a atitude do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de pedir ao presidente Donald Trump a classificação das facções criminosas como grupos terroristas.
"Eu tive três horas com o presidente Trump, três horas com ele. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o combate ao crime organizado. Seu Marco Rubio não estava lá. Positivamente porque ele tivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidata estão aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de nos Estados Unidos pedir intervenção americana do Brasil."
Em seu discurso, Lula disse que o PCC e CV são considerados terroristas para as comunidades brasileiras.
“Para o povo da periferia desse país, eles são terroristas. Porque eles incomodam as famílias. Eles incomodam o bairro. Eles incomodam a cidade. Eles roubam tudo que tem direito do povo, o direito do povo ver livremente. Então, eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma lei anti-facção e aprovamos a lei de combater o crime organizado. E vamos combater. Eles não são terroristas que o Trump quer”, afirmou.
O presidente rebateu a medida americana e disse que “nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá. Porque sabe que as armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil, vêm dos Estados Unidos”, ressaltou.
Em tom de indignação, Lula ainda defendeu a democracia nacional e disse que não admite interferência externa. “Não brinquem com a nossa democracia. Não duvidem das coisas que nós fazemos aqui nesse país.”
Mais cedo, o governo federal emitiu uma nota em defesa da soberania nacional e do modelo brasileiro de combate ao crime organizado, após reunião ministerial realizada com membros do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), Casa Civil e do Ministério da Fazenda.
“ A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, diz a nota.
No texto, o governo afirma que o país trava “combate permanente” contra facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias armadas. E que as organizações criminosas atuam com foco em lucro por meio do tráfico de drogas e armas e não devem ser confundidas com grupos ligados ao terrorismo internacional por motivações ideológicas, políticas ou religiosas.
O comunicado também faz críticas à família Bolsonaro, acusada pelo governo de buscar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil . “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, diz o texto.
EUA classificam CV e PCC como terroristas
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (28) a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas . O governo americano também informou a intenção de classificar ambas as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), medida que entra em vigor no dia 5 de junho.
O CV e o PCC são descritos pelo governo de Donald Trump como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Segundo o comunicado oficial, juntas, as facções comandam milhares de membros e têm sido responsáveis por ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros.
O Departamento de Estado afirmou ainda que a influência e as redes ilícitas dos dois grupos ultrapassam as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e os próprios Estados Unidos.
A medida foi anunciada dois dias depois da visita de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que havia pedido a Trump para que as facções fossem designadas como grupos terroristas .
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