
Péricles Monteiro Melo morreu na noite de 8 de março, após se envolver em uma confusão com guardas civis metropolitanos (GCMs), enquanto passava de moto com um colega pela Rua Cachoeira Poraquê, no Conjunto Habitacional Promorar, às margens da rodovia Raposo Tavares, em São Paulo.
O jovem, de 23 anos, e um amigo de 25, que preferiu não ser identificado por medo, saíram de uma adega em direção a um pagode em um bairro vizinho. Péricles pilotava a moto, que era de outro amigo. Ele cobriu a placa com uma sacola plástica para evitar identificação, pois o colega estava sem capacete. Quando passavam em frente à Escola Municipal Maria Alice Borges Ghion, encontraram dois guardas municipais, que teriam dado ordem de parada.
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Segundo o boletim de ocorrência, elaborado no 89º DP (Jardim Taboão), Péricles trafegava em alta velocidade, na contramão e empinando a moto. A inda segundo o BO, ele teria ignorado a ordem dos guardas, atropelando um dos GCMs, identificado como Rodrigo Moreira Vieira, que ficou ferido.
O outro guarda, Alessandro Francisco da Silva, teria atirado quatro vezes contra os jovens. Péricles foi atingido e, depois de ser socorrido à UPA Rio Pequeno, não resistiu aos ferimentos. Posteriormente, foi constatado que a moto não era roubada.
Família contesta versão oficial
Amigos e familiares de Péricles afirmam que houve execução. Em depoimento, o garupa contou que eles foram surpreendidos pelos guardas. Segundo o relato, não houve ordem de parada audível, mas um dos agentes teria dito “atira!”.
Circuito
Imagens obtidas pela reportagem da Band (veja acima) mostram o som de cinco disparos. Primeiro, uma rajada de três tiros. Alguns segundos depois, mais dois estampidos. Segundo a família, os últimos disparos teriam atingido Péricles nas costas, já com ele caído de bruços no chão. A versão é diferente da apresentada no boletim de ocorrência, que relata quatro disparos por parte do GCM.
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Logo após a confusão, a família correu para o local da ocorrência, mas um cordão de isolamento foi montado por policiais militares e GCMs, impedindo a visualização da cena. Eles tentaram se aproximar, mas foram impedidos. A irmã de Péricles, Natália Monteiro Melo, chegou a ser atingida por um jato de spray de pimenta à queima-roupa.
Em entrevista à Band, Natália contou que, sempre que questionavam sobre o estado de saúde do irmão, os agentes ficavam calados . Ela afirma que ele morreu ainda no local e diz que demorou quase uma hora para o socorro chegar e que, quando ele saiu de lá, já estava morto. “Eu vi ele sendo levado em um saco de alumínio”, disse.
Roupas jogadas no lixo
No dia seguinte, a cunhada de Péricles encontrou o moletom e a camiseta usados por ele na noite em que foi morto em uma lixeira próxima do local , junto com luvas de borracha ensanguentadas. Nas roupas havia duas marcas de tiro, ambas nas costas.
Depois do ocorrido, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informou que o guarda Alessandro Francisco da Silva foi afastado das funções operacionais, passando a executar tarefas administrativas . A pasta disse ainda que o caso está sendo acompanhado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
Natália diz que o advogado da família já entrou com um pedido formal para que sejam analisadas as demais imagens das câmeras da escola, que provavelmente flagraram a ação dos guardas e comprovariam que eles “forjaram a cena”. A irmã do rapaz morto disse que tudo o que ela e a família desejam é que a “justiça seja feita”.
Um inquérito foi aberto no DHPP para investigar o caso . A investigação está a cargo da equipe C-Sul.
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