A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão domiciliar para a influenciadora e advogada Deolane Bezerra , presa sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro, associação com o tráfico e vínculos com a facção criminosa PCC. A decisão mantém a influenciadora na ala especial da Penitenciária de Tupi Paulista, unidade destinada a presas com curso superior.
A prisão ocorreu na última quinta-feira (21), em uma mansão localizada em um condomínio de luxo em Barueri, na Grande São Paulo. Imagens da operação mostram o momento em que policiais cercam o imóvel.
A influenciadora, que havia retornado de uma viagem a Roma pouco antes da ação, estava sob monitoramento da Interpol em parceria com o Ministério Público de São Paulo. De acordo com os investigadores, a possibilidade de uma prisão ainda em território italiano chegou a ser discutida, mas a detenção acabou sendo executada na residência da influenciadora no Brasil.
Suspeita de movimentação financeira milionária
O relatório policial, detalhado pelo delegado Arthur Dian, aponta que mais de R$ 27 milhões transitaram por contas pessoais e empresas ligadas à influenciadora entre 2018 e 2022. Para a investigação, os valores indicam que ela teria atuado como uma espécie de "caixa" para ocultar e pulverizar recursos de origem ilícita.
"Em um determinado período, foram R$ 13,5 milhões e, em outro, R$ 14,5 milhões aproximadamente. Entre pessoas jurídicas e físicas ligadas à influencer, temos materialidade para isso. Não só aqueles depósitos que foram amplamente divulgados, mas movimentações posteriores bem vultosas também", explicou o delegado Arthur Dian.
As apurações que levaram à prisão tiveram início em 2019, a partir da apreensão de bilhetes atribuídos à cúpula do PCC no presídio de Presidente Venceslau, no interior paulista. A partir desse material, a polícia conseguiu identificar uma transportadora que seria utilizada como fachada para lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
Defesa contesta as acusações
A defesa de Deolane Bezerra refuta categoricamente qualquer ligação da influenciadora com organizações criminosas. Segundo o advogado Auri Lopes Júnior, a investigação policial estaria promovendo uma mistura indevida de rendimentos lícitos com supostos valores ilícitos para sustentar uma narrativa contra sua cliente.
"A polícia mistura valores que ela recebe de forma lícita como empresária, como influencer, também como advogada, e atribui tudo isso a uma origem ilícita", afirmou Auri Lopes Júnior. A defesa sustenta que o material apresentado pela investigação cria uma versão que não condiz com a realidade dos fatos e continua trabalhando para reverter a prisão preventiva.
Deolane permanece em uma cela de cerca de oito metros quadrados na unidade prisional. A investigação segue em curso para identificar outros possíveis braços financeiros da facção e a participação de demais envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro.
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