A reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e Rússia , Donald Trump e Vladimir Putin, terminou sem acordo na noite desta quinta-feira (15). O encontro aconteceu em uma base militar no Alasca para discutir uma possível trégua nos bombardeios russos contra a Ucrânia.
Logo após o término da reunião, os dois líderes concederam uma entrevista coletiva com poucas respostas. Na prática, o encontro acabou sem um acordo de cessar-fogo.
Durante a coletiva, Putin contou histórias sobre a amizade da Rússia e dos Estados Unidos, e disse que quando chegou ao Alasca desejou “bom dia, vizinho” à Trump, além de dizer que o encontro já havia “passado da hora”.
O presidente russo chegou a repetir uma das promessas de campanha de Trump, que a guerra na Ucrânia não aconteceria caso ele fosse presidente. Putin também afirmou que os dois chegaram a um acordo para construir um caminho para a paz, e que as raízes das preocupações da Rússia em relação à Ucrânia precisam ser eliminadas antes de “qualquer avanço”.
Donald Trump, por outro lado, foi mais breve nas colocações e afirmou que irá informar a Otan e ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky sobre o que foi discutido na reunião.
Putin não visitava os EUA desde 2015
Com direito à tapete vermelho na pista, Trump recebeu Vladimir Putin. Um longo aperto de mãos e alguns sorrisos marcaram o primeiro encontro entre eles desde 2018. Essa também é a primeira visita de Putin aos Estados Unidos desde 2015, quando Barack Obama governava o país.
O anúncio era de que Trump e Putin teriam uma reunião só entre eles, mas os planos foram alterados. Cada presidente esteve acompanhado de dois assessores.
Trump chamou o secretário de Estado Marco Rúbio e o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff. Já Putin levou Yuri Ushakov, ex-embaixador russo em Washington, e o ministro de Relações Exteriores Sergey Lavrov.
Os líderes tentam destravar um acordo que encerre os bombardeios russos contra a Ucrânia. O conflito se arrasta há mais de três anos, quando começou a invasão russa. Nesse período, a Europa mantém o apoio incondicional à Ucrânia e condena a guerra de Putin.
Os Estados Unidos seguem a mesma linha de apoio, mas o tom mudou desde que Trump voltou ao poder.
Ucrânia diz que espera "posicionamento forte" dos EUA sobre cessar-fogo
O atual presidente americano tem criticado o presidente russo, mas já protagonizou uma discussão, na Casa Branca, com o líder ucraniano Volodimir Zelensky, no começo do ano. Nesta sexta, horas antes da reunião no Alasca, Zelensky, que não foi convidado, disse que seu país conta com uma posição firme dos Estados Unidos.
Mas o conflito na Ucrânia não foi o único tema das discussões de hoje. Os presidentes se debruçaram também sobre questões econômicas e comerciais. Por conta da invasão da Crimeia, em 2014, Moscou enfrenta uma série de sanções impostas pelos Estados Unidos.
A reunião tem ainda uma série de simbolismos. O Alasca já foi parte do império russo, mas em 1867 foi comprado pelos americanos. E a base que recebe os presidentes foi crucial para os norte-americanos conterem a então União Soviética, durante a Guerra Fria.
Os países são separados pelo Estreito de Bering, e algumas ilhas ficam a menos de 5 quilômetros de distância.
Mas os russos deram uma alfinetada. Horas antes da reunião, Sergey Lavrov foi visto usando um moletom com a sigla CC-CP, da União Soviética.
Apesar da pequena população, a presença de Putin no Alasca gerou protestos. Faixas de apoio à Ucrânia foram estendidas do lado de fora da base de Anchorage.
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