Três pacientes que sofriam de lesões na medula cervical morreram nos últimos dez dias após terem recorrido à Justiça para receber um medicamento experimental . Os pacientes faziam uso da polilaminina, uma proteína desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que promete restaurar movimentos em casos de paraplegia ou tetraplegia.
As mortes ocorreram em diferentes estados brasileiros. No Espírito Santo, um dos pacientes faleceu em decorrência de uma embolia pulmonar. No Rio de Janeiro, a causa registrada foi septicemia, uma reação inflamatória generalizada causada por infecção. A terceira morte foi registrada no interior do Paraná, motivada por complicações de uma pneumonia.
O tratamento com a polilaminina ainda está em fase de testes e consiste na aplicação da proteína diretamente na medula. Embora os resultados iniciais tenham sido considerados promissores, a terapia não possui registro definitivo. O cenário de otimismo gerado pelos primeiros estudos levou dezenas de famílias a buscarem o Poder Judiciário para garantir o acesso à substância.
Posicionamento do laboratório e das famílias
O laboratório responsável pela fabricação da polilaminina afirmou que as mortes não possuem relação direta com o tratamento experimental. Segundo a instituição, os três pacientes apresentaram complicações médicas graves durante o período de internação, relacionadas aos quadros clínicos individuais e não ao uso da proteína.
No Paraná, a família de uma das vítimas também declarou que não é possível estabelecer um nexo causal entre o uso do medicamento e a piora no estado de saúde do paciente. A fragilidade clínica de pessoas com lesões medulares graves é um dos fatores considerados nas análises médicas preliminares sobre os óbitos.
Até o momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que autorizou a realização dos testes clínicos com a medicação no Brasil, não comentou formalmente os óbitos recentes. Os pesquisadores da UFRJ reforçam que, por se tratar de uma terapia em desenvolvimento, os efeitos colaterais totais ainda são desconhecidos.
Riscos e o acompanhamento médico
O uso da polilaminina exige um acompanhamento médico rigoroso e constante. Especialistas alertam que a judicialização de tratamentos experimentais pula etapas de segurança que são fundamentais para garantir a integridade dos pacientes. Desde que os testes começaram, 37 pessoas no Brasil conseguiram autorização judicial para utilizar o composto.
O processo de restauração medular por meio de proteínas é complexo e ainda carece de dados robustos sobre segurança a longo prazo. O caso levanta o debate sobre os limites da ciência e a urgência de famílias que buscam curas para condições severas. O projeto de pesquisa deve continuar sob monitoramento das autoridades de saúde para avaliar a viabilidade do fármaco.
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