Jornal da Band

Estudante brasileiro preso nos EUA descreve dias na cadeia: “Nem banho a gente tomava”

Ele foi solto depois de uma juíza permitir que ele responda ao processo de deportação em liberdade

EDUARDO BARÃO

06/06/2025 • 00:46 • Atualizado em 06/06/2025 • 00:46

Assim que deixou a prisão, Marcelo Gomes descreveu como foram os “piores dias da vida” nos Estados Unidos. O estudante brasileiro, de 18 anos, foi solto depois de uma juíza permitir que ele responda ao processo de deportação em liberdade. Graças a uma vaquinha online, a defesa dele conseguiu pagar a fiança de US$ 2 mil, definida pela magistrada.

“Eu estava em uma cela com homens de mais de 35 anos. Era um local pequeno com 40 homens lá dentro. Nós não recebemos nenhuma atenção das pessoas, nem banho a gente tomava. Teve dias que nossas refeições foram biscoitos”, disse.

Em um vídeo divulgado antes da audiência, João Paulo e Daiane Gomes, pais de Marcelo fizeram um apelo para que a agência de imigração americana soltasse o filho.

“Eu sinto muito a falta do meu filho. Esse é o quarto dele, sinto falta dele em casa. Sinto falta de abraçar meu filho”, disse Daiane.

A prisão do brasileiro causou comoção em Milford, cidade nos arredores de Boston . Ele estava a caminho de um treino de vôlei na escola onde estuda, quando foi apreendido em uma blitz, no último sábado (31).

O estudante vive com os pais nos Estados Unidos há 13 anos, mas não tem visto de permanência no país. Ele também nunca teve ficha criminal.

Protestos contra agentes de imigração

A revolta contra agentes de imigração cresce em todo o país. Em San Diego, na Califórnia, moradores protestaram contra uma blitz em um restaurante sob gritos de “vergonha”. Os policiais recuaram e foram embora.

Em outra decisão para conter a imigração ilegal, o presidente Donald Trump resolveu barrar a entrada de cidadãos de 12 países. A medida é semelhante a que foi adotada no primeiro mandato dele, em 2017.

Dessa vez o veto se aplica a pessoas do Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Líbia, Irã, Somália, Sudão e Iêmen. Cidadãos de outros sete países, entre eles Cuba e Venezuela, enfrentarão suspensão parcial.

Em outra frente, Trump proibiu a emissão de novos vistos para estudantes que queiram entrar na Universidade de Harvard. Trump acusa a instituição de facilitar a entrada de 'adversários estrangeiros' e de ter recebido 150 milhões de dólares da China, o que é negado pela faculdade.

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