
Às vésperas de “Purim”, quando judeus do mundo inteiro lembram uma vitória na antiga Pérsia -- hoje Irã --, Israel volta a enfrentar o regime iraniano, cujo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, ameaça os israelenses com destruição, seja por meio de mísseis balísticos, de milícias no Líbano, no Iraque e no Iêmen, ou pela busca de capacidade nuclear.
Purim, celebrado ao pôr do sol desta segunda-feira, significa “lançar a sorte”. Não é teologia nem profecia. É geografia histórica. O livro bíblico de Ester — sem mísseis ou caças — narra uma história de poder, vulnerabilidade e sobrevivência política dentro do Império Persa.
O mais alto oficial da corte do rei Xerxes I — chamado Assuero na tradição bíblica —, que reinou no século V a.C., era Hamã. Ele planejou aniquilar todos os judeus do império e lançou sortes para escolher a data da execução: o dia 13 de Adar. A rainha Ester, judia que ocultava sua identidade, arriscou a própria vida ao interceder junto ao rei. Hamã acabou executado, e os judeus receberam autorização para se defender, transformando a ameaça em vitória.
A comparação termina aí. A República Islâmica não é o Império Aquemênida, e os conflitos contemporâneos se movem por cálculos estratégicos, não por éditos lançados por sorte. Mas a coincidência histórica é inevitável: novamente, o nome Pérsia ocupa o centro de uma narrativa de ameaça existencial para Israel.
O governo israelense batizou a operação de “Roaring Lion” (“Leão Rugindo”), enquanto os Estados Unidos a denominaram “Epic Fury” (“Fúria Épica”). Autoridades militares falaram em ampla mobilização aérea e em ataques coordenados contra infraestrutura estratégica iraniana — de arsenais de mísseis a centros de comando. Não houve, até o momento, confirmação independente da extensão dos danos ou do alcance real da superioridade aérea reivindicada por Israel. “Os céus do Irã estão livres”, comemorou uma autoridade militar em Jerusalém.
O primeiro golpe da guerra foi desferido contra os arsenais de mísseis balísticos iranianos, lançadores de drones e a cúpula militar e política. Israel afirma ter mirado o bunker em que se protegia o líder supremo da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, que não reapareceu para um anunciado discurso à nação.
Por causa do primeiro golpe, os mísseis disparados contra Israel e países do Golfo não vieram às centenas, em barragens, como na Guerra dos 12 Dias, no ano passado, mas em dúzias. Alguns tiveram impactos diretos, devastadores, mas com poucos feridos. Em alguns casos, fragmentos dos antimísseis que os interceptaram caíram em áreas civis, entre elas num prédio de apartamentos na região norte. Os militares israelenses estavam se preparando para incursões terrestres via fronteiras do Líbano, Síria e Jordânia por parte das milícias aliadas ao Irã no Iraque e no Iêmen.
O porta-aviões Abraham Lincoln teria atuado para manter aberto o Estreito de Ormuz, que o Irã prometeu fechar para interromper o fluxo de petróleo mundial, e enfrentar a marinha dos Guardas Revolucionários Islâmicos na área do porto de Bandar Abbas.
Em Purim, o destino parecia decidido pelo acaso. Mas o livro de Ester sugere que, mesmo quando as sortes são lançadas, são as decisões humanas que alteram o rumo da história. Em tempos de guerra, essa pode ser a lição mais atual.
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